Tuesday, January 3, 2012
Tuesday, July 5, 2011
Falhanço do país engabinetado

Nas últimas semanas foi notícia o lamento de um empresário do interior do país que quer expandir a sua empresa mas não encontra gente para trabalhar.
Alguns virão já a corer a dizer que este empresário quer operários que trabalhem de graça ou paguem para trabalhar, mas sosseguem que não é o caso.
Não é o caso da Insercol, uma empresa da metalomecânica, em Moimenta da Beira, distrito de Viseu, que tem suspenso um investimento superior a milhão e meio de euros.
Por isso, o empresário João Guedes não aceita de bom grado a palavra crise porque “trabalho não falta”, o que falta “é gente para trabalhar”.
Esta empresa de referência na área da metalomecânica, tem um volume de negócios médio superior a quatro milhões de euros e registou no ano passado registado um crescimento de 30 por cento no volume de negócios e aumentou em mais de 20 por cento os recursos humanos.
Esta empresa quer investir “pelo menos” 1,5 milhões de euros em tecnologia de ponta e não sabe como fazê-lo, por não encontrar disponível mão de obra que permita a garantia da rentabilidade do investimento.
Quando Portugal vive momentos dramáticos com um desemprego medonho, ficamos intrigados por haver quem gosta de ter gente para trabalhar e não encontra, pagando ordenados que, em média, ultrapassam os 1.100 euros.
Metade dos trabalhadores vêm de fora de Moimenta de Beira e do distrito de Viseu, nomedamente de Aveiro e Porto.
Não basta construir auto-estradas para o interior agora, quando passamos décadas a estimular a desertificação do interior.
Está aqui o resultado de uma governação que durante séculos apenas lhou pel umbigo do país e desprezou os estímulos à maternidade.
Está aqui a prova de um plano nacional de formação profissional onde, depois de extinguir o ensino profissional, se gastaram milhões e milhões de euros do Fundo Social Europeu para dotar os jovens de cursos de papel, computador e lapis, esquecendo a agricultura e a indústria.
Num país que compra quase oitenta por cento do que come e enche os discursos com apoios à exportação, fica aqui um exemplo de uma empresa que precisa mais de operários do que incentivos para vender para fora.
Os planos de formação profissional engabinetados geraram um país com escassez de técnicos intermédios, a verdadeira alavanca que impedirá o falhanço desta Nação.
Há muito mais Portugal para além dos computadores.
Amartya Sen: um grito no deserto?

Na catadupa de notícias sobre PEC e crise da Líbia, um Doutoramento na Universidade de Coimbra, foi silenciado pela generalidade das televisões e só uma lhe deu direito a uma nota de rodapé, para contextualizar declarações do Alto-Comissário para os Refugiados das Nações Unidas.
É importante que se fale da situação da Líbia, mas é igualmente importante que se falasse do Doutoramento “Honoris Causa” do Prof. Amartya Sen.
Amartya Sen é um dos mais eminentes humanistas e cientistas da economia do Séc. XX e veremos se não o será também do séc. XXI, enquanto académico brilhante, comprometido com o Mundo.
Amartya Sen foi prémio Nobel da Economia em 1998 mas, mais importante são as razões que levaram à atribuição do prémio. Sen é na Academia quem, pelo seu pensamento, mais fez para a compreensão da pobreza, das desigualdades, do emprego e dos efeitos da sua existência para o exercício dos direitos humanos, da liberdade e da justiça.
Todas as suas obras constituem um marco, no avanço da ciência económica e do desenvolvimento humano. Para eles, os mercados não se auto regulam. Para terem um papel útil necessitam da intervenção da “política”. Como teve tanta razão na recente crise financeira! E no entanto, continua a ser desprezado.
O tão popularizado “Índice de Desenvolvimento Humano” tem origem nos trabalhos por ele promovidos no início dos anos 90: constituiu e constitui um critério que ainda não encontrou substituto, para avaliar o progresso humano, nos diferentes países.
Sen demonstra-nos que a ciência económica não é uma tecnocracia e ela só tem sentido se existir para dar resposta aos problemas de todas as pessoas e não apenas de algumas pessoas.
Como é possível? Só é possível num mundo que tenha a ética e a solidariedade como valores orientadores e não como valores subordinados.
Vale a pena incitar à leitura do seu livro “A Ideia de Justiça” (acabado de ser publicado em português). É que, na sua abordagem à justiça, marca um compasso ímpar para aqueles que lutam contra a injustiça por todo o mundo — comenta Philppe Van Parijs, da Universidade de Lovain
Sen demonstra toda a força do seu pensamento brilhante e juízo moral — acrescenta o Financial Times enquanto o Sunday Times afirma que este livro é “para quem gosta de discussões inteligentes longe de lugares comuns”.
O Jornal The Times define Sen como um dos grandes pensadores da nossa era.
Vejam o que estamos a perder, ignorando-o.
Justiça: afinal havia outro défice!

Um copianço generalizado num teste do curso de auditores de Justiça do Centro de Estudos Judiciários — futuros magistrados do Ministério Público — constitui a prova de que há muita gente que só pretende honras sem qualquer pingo de honra.
Como a emenda é pior que o soneto, a direcção do Centro de Estudos Judiciários, numa decisão corporativa que nos faz recuar 40 anos, após a anulação do teste, optou por dar nota positiva (10 valores) a todos os futuros magistrados.
Ou seja, para s futuros magistrados do Ministério Público, o crime compensou. Querem melhor retrato da justiça portuguesa, ele aí está, confirmado pela Direcção do Centro de Estudos Judiciários.
Num despacho assinado pela diretora do CEJ, a desembargadora Ana Luísa Geraldes, a que a agência Lusa teve acesso, comprova o crime: na correcção do teste “verificou-se a existência de respostas coincidentes em vários grupos” de alunos da mesma sala.
O documento indica que, em alguns grupos, “a esmagadora maioria dos testes” tinha “muitas respostas parecidas ou mesmo iguais”, constatando-se que todos os alunos erraram em certas questões.
No despacho é dito que as perguntas erradas nem eram as mais difíceis do teste, tendo-se verificado o inverso: numa das questões mais difíceis ninguém falhou.
Perante o copianço da turma, que fez a direcção do CEJ? Decidiu “anular o teste em causa, atribuindo a todos os auditores de Justiça a classificação final de 10 valores” em Investigação Criminal e Gestão do Inquérito.
Não estamos a falar de adolescentes cuja consciência ética está em formação. Estes senhores e senhoras são adultos, alguns com anos de exercício de advocacia, cuja ética e deontologia profissional fica assim desmascarada.
Vitor Hugo diria que estas pessoas vêem as regras de honra como se olham as estrelas, de longe.
A principal missão do Centro de Estudos Judiciários é a formação de magistrados judiciais e do Ministério Público para os tribunais judiciais e para os tribunais administrativos e fiscais.
Numa instituição a sério, estes “meninos e meninas” que copiaram tinham nota zero, porque é o que eles valem quer em sabedoria, em competência e em honestidade. É por estas e por outras que este país não sai da estaca zero.
Quando é que estes figurões se apercebem que se estáo a enganar, em primeiro lugar, a si mesmos?
Nunca, porque isso não se copia.
Wednesday, June 1, 2011
Hospital de Braga despreza Dadores de sangue
O Novo Hospital de Braga esqueceu um pequenino direito que os Dadores de Sangue possuíam, na entrada no Hospital.
Para quem dá o melhor de si, o ouro vermelho, para os nossos hospitais, o gesto da Administração é, no mínimo, uma grande desconsideração e deselegância (males para os quais não há medicamentos nem cirurgias...)
A denúncia foi feita por João Nogueira, presidente da Junta de Freguesia de Gualtar, eleito pelo PS, na última edição do programa "Debaixo d'Arcada", na Rádio de Braga Antena Minho, quinta-feira, às 19 horas, com re-emissão no começo da noite, às zero horas.
Também os presidentes da Junta de freguesia da Sé, António Sousa, eleito pela CDU, e de S. Vítor, Firmino Marques, eleito pelo PSD/CDS/PPM, se debruçaram sobre este tema, como pode ver em
http://www.antena-minho.pt/podcast.php?p=1471
É mais um exemplo da redução das pessoas a números e uma prova da desumanidade na prestação de cuidados de saúde, pelas regras do mercado (privados).
Para quem dá o melhor de si, o ouro vermelho, para os nossos hospitais, o gesto da Administração é, no mínimo, uma grande desconsideração e deselegância (males para os quais não há medicamentos nem cirurgias...)
A denúncia foi feita por João Nogueira, presidente da Junta de Freguesia de Gualtar, eleito pelo PS, na última edição do programa "Debaixo d'Arcada", na Rádio de Braga Antena Minho, quinta-feira, às 19 horas, com re-emissão no começo da noite, às zero horas.
Também os presidentes da Junta de freguesia da Sé, António Sousa, eleito pela CDU, e de S. Vítor, Firmino Marques, eleito pelo PSD/CDS/PPM, se debruçaram sobre este tema, como pode ver em
http://www.antena-minho.pt/podcast.php?p=1471
É mais um exemplo da redução das pessoas a números e uma prova da desumanidade na prestação de cuidados de saúde, pelas regras do mercado (privados).
Submissão americana sem pestanejar

A maior parte das notícias do mundo vêm de fontes dos Estados Unidos da America, diz no seu “Ultime notizie sul giornalismo”, Furio Colombo, professor na Columbia University, de Nova Iorque.
Para este autor, os mais elementares princípios do jornalismo são destronados hora a hora, em directo, por meras considerações comerciais voyeuristas.
Também Neil Postman afirma que televisão mudou a maneira como o acesso à informação e à cultura é concebido: cobertura da actualidade transforma-se em espectáculo, de longa duração, em tempo real, com os eventos programados do casamento de Londres e da cerimónia religiosa em Roma, as celebrações de Fátima ou a Final de Dublin.
Pode chamar-se informação, no sentido jornalístico da palavra, às coberturas propostas pelas televisões dos eventos de Londres, de Fátima, de Dublin e de Roma? Não. São manifestações encenadas e submetidas a repetição, obedecendo a guarda-roupas, publicidade e a guiões estritos?
É a nova chapa de chumbo totalitária das democracias... que Aldous Huxley tão bem descreveu.
Os Estados Unidos conseguiram instalar-se no centro da circulação da informação e nos negócios (que geram informação que convém) numa luta desigual pela supremacia de uma moeda mundial, em que o Euro começa a ficar de gatas neste combate onde vale tudo.
Os americanos pretendem impor ao que resta (do resto) do mundo os seus critérios de resolução da crise que, em grande parte não preveniram e causaram, e em consequência, as regras da informação.
Justiceiros da moral das figuras públicas, os jornalistas viraram pastores evangélicos e os editores bispos dos “mass media” e da política, numa perigosa convergência entre jornalismo e moral conservadora. As leis da República ou da Democracia foram imoladas no altar dos mandamentos morais.
Joseph Pulitzer é um aprendiz comparado com o que se faz hoje, sabendo como todos sabemos que o sensacionalismo em torno da sexualidade faz vender papel e alargar audiências.
É neste cenário ideológico que tem mais de religioso que republicano e muito menos sã democracia, que se enquadra a prisão do director geral do FMI.
Ele pôs-se a jeito para ser a estrela de um colossal espectáculo mediático, para o qual a televisão americana já nos educou ao longo de décadas de séries policiais.
O total desprezo pela presunção de inocência a que todo o cidadão tem direito, faz com que não consigamos hoje distinguir uma série policial de um telejornal. Ambos os géneros têm audiências porque expõem ao mundo a humilhação directa de um homem algemado e sob escolta policial.
Amestrados por décadas de informação-espectáculo, também os europeus foram incapazes de parar um segundo e embarcaram práticas desavergonhadas e indignas da deontologia profissional sob a qual se escudam para legitimarem o direito à informação e à liberdade de imprensa.
Perante este espectáculo indecoroso, só um caminho: só uma deontologia e uma ética profissional afrontam televisões e internet vindos de países onde são pouco ou nada respeitadas.
É aí que podemos marcar a diferença. Será que o desejamos?
Wednesday, May 18, 2011
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