Monday, January 11, 2010

Somos todos galegos no dia 21


Língua galega é o nome oficial no Reino da Espanha e na União Europeia do idioma natural da Comunidade Autónoma da Galiza. Esta língua é falada na Galiza, em zonas de fronteira das Astúrias e de Castela-Leão e nas comunidades de galegos emigrantes, como na Argentina, Cuba e no Uruguai (porque mais de três milhões de emigrantes galegos moram naqueles países).

O galego pode ser visto como uma forma evoluída do galego-português, como o português da Galiza (da mesma forma que se fala de "português de Portugal" ou "português do Brasil").

O galego-português formou-se a partir do século IX, na antiga província romana da Gallæcia (de que Braga era a capital) e as famílias, as crianças e os jovens da Galiza pedem a solidariedade dos portugueses, com veemência especial dos minhotos, quando preparam uma greve geral nas escolas para protestar contra uma agressão histórica contra uma das fortes componentes da Lusofonia, o galego.

A greve foi convocada pela plataforma Queremos Galego para o dia 21 deste mês para tentar impedir a mis forte agressão contra o idioma próprio da Galiza em toda a vida democrática de Espanha.

Se para os galegos é tão importante envolver todas as pessoas com sensibilidade pela sua cultura, é importante que saibamos ser solidários com eles contra este decreto que não tem o apoio das famílias, nem dos professores nem dos alunos

O decreto ofensivo da Língua galega foi apresentado a meio das férias do Natal pela Junta da Galiza
sob a capa da aprendizagem do inglês, prejudicando nitidamente o galego, numa acção que os linguistas da Galiza consideram uma burla tremenda porque se vende um suposto "trilinguismo" — castelhano, inglês e Galego — que é impossível aplicar em quase toda a Galiza.

Com falácias sobre o inglês o que tentam é confundir a opinião pública e camuflar esta navallada contra o galego — acusam os promotores da greve geral.

O último censo da Galiza assinalava que 20% dos rapazes e raparigas entre 14 e 19 anos são analfabetos funcionais en galego. A Junta, em lugar de ajudar a resolver este gravíssimo problema, aprofunda-o e cria outros novos. Como se pode entender que se proponha como justo reduzir a presença da língua mãe no horário escolar? — perguntam os opositores deste decreto lei que favorece o inglês e despreza o galego.

Em nome da liberdade de escolha e face à imposição unilateral de Núñez Feijóo, as comunidades educativas reclamam que se escute a sua voz, porque o decreto galegófobo não merece mais que a sua rejeição.

No dia 21 de Janeiro, os minhotos não devem esquecer um abraço de solidariedade aos galegos que lutam por um dos seus emblemas mais vivos da sua identidade como povo e baluarte da sua autonomia face à imposição castelhana sob a capa da liberdade. Não apenas por amizade aos galegos, mas porque a Lusofonia está ameaçada e ficará empobrecida na Galiza com este decreto da Junta de Nuñez Feijóo.

Monday, December 21, 2009

Colégio D. Diogo de Sousa ajuda Caritas


Os alunos do primeiro ao décimo segundo anos do Colégio D. Diogo de Sousa entregaram ontem mais de 8.800 euros à Caritas de Braga para apoio a famílias vítimas de violência doméstica.

Num sarau de Natal dos quinto a sétimo anos, a entrega do cheque foi efectuada pelo director do Colégio Dom Diogo de Sousa ao presidente da Caritas que afirmou a sua surpresa por esta quantia que vai beneficiar "não uma família mas várias".

A campanha resultou de uma sugestão da Caritas uma vez que esta escola católica desenvolve todos os anos campanhas de solidariedade com um objectivo concreto, na qual participaram todos os alunos do primeiro ao terceiro ciclos.

Os meninos do pré-primário direccionaram a sua actividade para o Centro Social Padre David de Oliveira Martins, como explica o Padre Cândido Sá.

Após receber o cheque, o presidente da Caritas desafiou os alunos do colégio a ajudarem os pobres envergonhados que existam nas vizinhanças das suas casas dizendo-lhes que a Caritas os trata com toda a discrição e confidencialidade.

Thursday, December 3, 2009

Um padre para os Homens


Os reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga e tantos, tantos cristãos perderam o seu São Leonardo de Noblat, pela sua vida de austeridade, de pregação e de um sorriso sempre presente que se prolongava na comunicação.

À semelhança de Leonardo, que viveu no século VI, o padre Fernando Leite nutria grande compaixão pelos prisioneiros e obteve a libertação de muitos, num trabalho difícil, paciente, silencioso e discreto com os rejeitados da sociedade e suas famílias.

Aos 89 anos, não se pode dizer que a sua morte seja surpresa. A surpresa negativa acontece a partir de agora, com a sua ausência e sepultura hoje, na sua terra natal, em São Nicolau, Cabeceiras de Basto. Era completo e multidisciplinar. Que o digam os seus "amigos das Palhotas"

O padre Fernando Leite viveu toda a sua vida dedicado ao serviço do Apostolado da Oração mas a sua grande obra foi a Revista Cruzada, da qual foi, durante mais de 60 anos, Director, sendo também director do Jornal Clarim e dos “Bilhetes Mensais” (Oração e Vida).

Traduziu a sua apixão pela mensagem de Fátima em algumas dezenas de livros e opúsculos, sobretudo sobre a Mensagem de Fátima, de que era um apaixonado sem esquecer o entusiasmo que nutria pelo Movimento da Cruzada Eucarística, de que era Assistente Nacional e Diocesano!

Recordo-o também como Director Espiritual dos Seminários Diocesanos de Braga, onde a sua piedade, humildade, amizade e dedicação para connosco era singular. A ele ninguém tinha pudor ou receio de se confessar. Não sei que melhor podia escrever para definir este grande Padre!


Enquanto Leonardo de Noblat se refugiou na floresta de Limousin, Fernando Leite, vivendo para Deus, em profunda espiritualidade (como bem descreveu o padre Dário Pedroso), foi sobretudo um Padre para os Homens, doando tempo, dedicação, inteligência, amizade, e coração aos reclusos, como Capelão do Estabelecimento Prisional, em duas décadas.

Todo este imenso e longo trabalho a Braga mereceu-lhe, aquando dos 900 anos da Catedral de Braga, uma comenda do Papa João Paulo II, como testemunho de gratidão pela dedicação e generoso trabalho.

Devemos-lhe muito. Braga fica em dívida para com ele, pelos 60 anos que lhe dedicou integralmente. Ele foi um dos enormes talentos que a Companhia de Jesus disponibilizou à Igreja e a Braga.

Tuesday, November 17, 2009

"Pedaços & laços" de antigos seminaristas




"Pedaços & laços" é uma fantástica colectânea de testemunhos de alunos que frequentaram os seminários de Braga entre 1958 e 1970 que dá resposta à questão colocada por um dos coordenadores na apresentação do livro quando pergunta: "que força nos une?"

É um livro que interessa aos 152 rapazes que, entre 1958 e 1970, mais a tantas centenas que cruzaram as suas vidas nos Seminários de Braga, aos familiares e a todos aqueles a quem o dia-a-dia de uma escola religiosa pré e pós conciliar desperta curiosidade que é bem saciada, ao longo de 140 páginas enriquecidas com um CD carregado de documentos e fotos.

A propósito dos 50 anos de entrada de 118 rapazes no Seminário da Tamanca ou de Nossa senhora da Conceição, em 2008, três antigos alunos lançaram o desafio a todos os seus companheiros para recolherem testemunhos, documentos, fotografias e outro material de interesse, para assinalar aquela data inesquecível para todos eles.

Ernesto Português, de Monção, Marques Mendes, de Sobreposta, e Manuel Duarte, de Adaúfe, pediram a todos que relatassem um episódio ou vivência curiosa e marcante da sua passagem pelo Seminário, com "inteira liberdade e sem preocupações literárias", além da cedência de fotos ou adereços como a primeira mala de cartão...

Houve muitos que colaboraram respondendo à pergunta de Marques Mendes — "Que força nos une?" — apesar do caminho diversificado que todos seguiram: padres, professores, empresários, comerciantes, funcionários, administrativos, advogados, médicos, militares, etc.

Em resposta ao desafio daqueles três companheiros de carteira, muitos "vasculharam o fundo da sua memória" enquanto outros "deram a volta à sua velha mala de cartão e encontraram fotografias e documentos" que agora partilham com os seus colegas e com muitos que andaram nos seminários naquelas duas décadas.

Das 150 páginas resultam testemunhos sobre a "porta de mobilidade social para dezenas de milhar de adolescentes provenientes do mundo rural e famílias desfavorecidas" enquanto outros destacam "a formação sólida e rigorosa recebida que garantia aos que saíam do seminário uma rápida e bem sucedida inserção no mundo profissional ou académico".

"A disciplina, os hábitos de trabalho e a qualidade do ensino eram garantia de sucesso na vida" — acrescentam outros ex-seminaristas que participaram nesta obra de memórias que apontam a revista "Cenáculo" como outra porta por onde se "conseguiam espreitar ideias novas e divergentes", numa altura em que Braga dentava dificuldades para que "o concílio Vaticano II destronasse Trento e muitos viviam "o sofrimento que esta guerra conciliar gerou".

De fora sopravam os ventos de maio de 68, os estilhaços da Guerra do Vietname, do estertor do colonialismo, os sons dos Beatles e as discussões pós-conciliares e como só morre quem é esquecido, esta obra recorda todos aqueles que se cruzaram entre si ao longo de 12 anos de estudos e de juventude, desde alunos a professores.

As grandezas e miudezas de uma vida em comum, dos prefeitos e dos professores, são passadas a pente fino, sem esquecer os momentos de polémica, como a expulsão geral dos finalistas de Teologia e sua readmissão, em dois grupos. Seguem-se os depoimentos, a recordação dos que já partiram e um apêndice rico de fotografias sobre encontros anuais e vivências nos seminários.

Saturday, November 7, 2009

Pobreza em Braga: a mãe e a filha


A presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Braga denunciou esta semana o ‘quadro muito preocupante’ de negligência de que são vítimas muitos menores de famílias romenas radicadas no concelho.

Fátima Soeiro afirmou que ‘são cada vez em maior número as situações terríveis de negligência’ naquela comunidade emigrante.

Nós sabemos que, entre nós, é vergonhoso reconhecer a própria pobreza e assim se explica muita pobreza envergonhada, mas pior do que isso é não esforçar-se para escapar da pobreza. Essa incapacidade traduz uma pobreza maior e inquietante, a miséria espiritual.

É o que se pode dizer de uma família com rendimento social de quase 1 800 euros mensais, no seio do qual foram encontradas crianças com fome.

É o que se pode dizer da chegada, quase todos os dias, denúncias de crianças romenas maltratadas no seio familiar, de que é expoente exemplar uma família romena a quem foram retirados oito dos dez filhos.

Um observatório dinamizado pela Câmara de Braga, recolheu oito dezenas de casos de negligência infantil em famílias romenas, por norma bastante numerosas, cujo acompanhamento é difícil, dada a sua grande mobilidade no território nacional.

Se a pobreza antes era considerada obra de injustiça, com os novos mecanismos de apoio, temos de considerar a pobreza, em muitos casos, incapacidade ou miséria espiritual e essa não se combate com subsídios.

Acho que foi Jean Paul Sartre quem escreveu que a pobreza e a esperança são mãe e filha. Ao entreter-se com a filha, esquece-se da mãe — acrescentava ele, com flagrante actualidade entre nós.

Nos casos apontados em Braga, esta semana, Portugal parece estar a divertir-se com a mãe (a pobreza) descarregando gasolina sobre a fogueira e a esquecer-se da filha (a miséria espiritual ou ignorância), adiando a sua promoção humana, através da educação para os valores e da vida.