Wednesday, October 7, 2009
Braga é fantástico: um texto insuspeito
"Às vezes, fica-se com a impressão que é Braga que deveria mandar neste país. Veio do Sporting de Braga o treinador que está a salvar o Benfica. Mas, mesmo sem esse treinador, o Sporting de Braga está em primeiro lugar.
Acho que o Sporting de Braga é o único clube de que todos os portugueses gostam secretamente. Os benfiquistas acham que eles são do Benfica; os do Sporting apontam para o nome e os portistas, por muito que lhes custe, são nortenhos e não se pode ser nortenho sem gostar de Braga.
Toda a gente tem medo - e com razão - do Sporting de Braga. Há a mania de engraçar com a Académica de Coimbra ou com o Belenenses, mas são amores fáceis, que não fazem medo nem potenciam tragédias.
O Sporting de Braga não se presta a essas condescendências simpáticas. É po ser temido que o admiramos. Mais do que genica, tem brio. É uma atitude com que se nasce; não se pode ensinar nem aprender.
A primeira vez que fui a Braga já estava à espera de encontrar uma cidade grande e diferente de todas as outras. Mas fiquei siderado. Acho que Braga se dá a conhecer a quem lá entra, sem receios ou desejos de impressionar.
A primeira impressão foi a modernidade de Braga - pareceu-me Portugal, mas no futuro. E num futuro feliz. O Porto e Lisboa são mais provincianos do que Braga; tem mais complexos; tem mais manias; tem mais questiúnculas por resolver e mais coisas para provar.
Braga fez-me lembrar Milão. É verdade. Eu adoro Milão mas Milão é (mais ou menos) Italiano, enquanto Braga é descaradamente português. Havia muitas motas; muitas luzes; muita alegria; muito à-vontade.
Lisboa e Porto digladiam-se; confrontam-se; definem-se por oposição uma à outra. Braga está-se nas tintas. E Coimbra - que é outra cidade feliz de Portugal - também é muito gira, mas não tem o poderio e a prosperidade de Braga.
Em Braga, ninguém está preocupado com a afirmação de Braga em Portugal ou no mundo. Braga já era e Braga continua a ser. Sem ir a Roma, só em Braga se compreende o sentido da palavra "Augusta". Em contrapartida, na Rua Augusta, em Lisboa, não há boa vontade que chegue para nos convencer que o adjectivo tenha proveniência romana. A Rua Augusta é "augusta" como a Avenida da Liberdade é da "liberdade" e a Avenida dos Aliados é dos "aliados", mas Braga é augusta no sentido original, conferido pelo próprio Augusto.
Em Braga, a questão de se "comer bem" ou "comer mal" não existe. Come-se. E, para se comer, não pode ser mal. Pronto. Em Lisboa, por muito bem que se conheçam os poucos bons restaurantes, está-se sempre à espera de uma desilusãozinha.
No Porto, apesar de ser difícil, ainda se consegue arranjar alguma ansiedade de se ser mal servido; de ir a um restaurante desconhecido e, por um cósmico azar, comer menos do que bem.
Em Braga isso é impossível. O problema da ansiedade não existe. Braga tem tudo. Passa bem sem nós. Mas nós é que não passamos sem ela, porque os bracarenses ensinam-nos a não perder tempo a medir o comprimento das pilinhas uns dos outros ou a arranjar termómetros de portuguesismo ou de autenticidade.
É por isso que o Sporting de Braga está à frente. Não é por se chamar Sporting. Não é por ter cedido o treinador ao Benfica. O Benfica ganhou muito com isso. Mas é o Sporting de Braga que está à frente.
É por ser de Braga. É uma coisa que, infelizmente, nem todos nós podemos ser.
Fique então apenas a gentileza de ficar aqui dito de ter pena de não ser.
Monday, September 28, 2009
Colégio D. Diogo de Sousa: Posso fazer uma pergunta?
Com o grande auditório do Parque de Exposições a abarrotar, o Colégio Dom Diogo de Sousa encerrou sábado à noite as comemorações dos 60 anos de existência ao serviço da juventudde de Braga, com um musical feito integralmente pelos seus alunos.
O padre Cândido Azevedo e Sá, director do Colégio, manifestou o seu “grande contentamento” pela adesão das pessoas e agradeceu a todas as pessoas que tornaram possível aquele momento.
O espectáculo musical — “Posso fazer-te uma pergunta?” — sucedeu a um porto de honra para todos os pais, professores, alunos e ex-alunos da instituição criada em 30 de Agosto de 1949 pela mão de Mons. Elísio Araújo.
Ao mesmo tempo eram projectadas imagens que evocaram os principais momentos da história e crescimento desta Escola da Igreja que é freqüentada neste ano lectivo por 1700 crianças e jovens, desde o pré-primário até ao décimo segundo ano.
O director do Colégio revelou que o projecto curricular é enriquecido com iniciativas que apontam para a educação para os valores que são imagem de marca desta escola: a verdade, o rigor, o trabalho e o esforço.
Nesta escala da valores, ao longo do ano lectivo que agora começa, o Colégio estimular os alunos para os valores da “minha cidade”, no primeiro ciclo, numa procura e conhecimento das raízes e valores da cidade de Braga.
“Desta forma, vamos integrar também a história do Colégio” — prosseguiu o padre Cândido Azevedo e Sá.
O espectáculo musical foi interpretado por 35 alunos do quinto ao décimo segundo ano, numa encenação de Rute Moreda, com coreografia de Stephanie Sousa e música de José Marques.
O tema do musical começa por um lugar, o colégio e um tempo que “se vira e revira para a frente e para trás”, mostrando que os “nossos dias estão cheios de pequenos lugares” onde se procura olhar o presente e ver nele o que tem de passado.
O Espetáculo “Posso fazer-te uma pergunta?” fala do Colégio Dom Diogo de Sousa, da sua história, das suas pessoas, festejando “um sítio sem tempo” onde a “amizade é a prenda que levamos para casa”.
Saturday, September 12, 2009
Centro Cultural Sénior abre em Outubro

Tuesday, September 8, 2009
A qualidade de Braga no Mosteiro

Braga vive esta quarta-feira um dia histórico na caminhada da preservação do seu patrimônio histórico depois de décadas negras vividas especialmente no século XIX e primeira metade do século XX.
O Mosteiro de S. Martinho de Tibães, classificado como imóvel de interesse público, reabriu profundamente recuperado, num esforço do Estado que travou a degradação a que foi submetido com esteve nas mãos de privados.
Mais uma vez coube ao Estado apagar os efeitos devastadores da propriedade privada. Eu sei que custa tanto a algumas pessoas ouvir isto, mas manda a verdade dizer que a antiga Casa Mãe da Congregação Beneditina portuguesa foi objecto de uma operação integrada de restauro, recuperação e reabilitação, no valor de cerca de 3 milhões de euros.
Se esta obra envaidece os cidadãos portugueses, mais deve orgulhar os bracarenses sabendo que grande parte da obra foi desenvolvida e executada por uma empresa bracarense de construção civil e obras públicas, entre Setembro de 2006 e Dezembro de 2008.
O trabalho desenvolvido pela empresas Casais também causa engulhos a cabeças muito bem pensadoras que se comprazem em denegrir os empresários bracarenses da construção civil.
Se é verdade que esta obra se reveste de um grande valor simbólico para esta empresa que tem uma forte ligação ao Mosteiro, também é certo que o trabalho que agora pode ser admirado por todos é um excelente cartão de visita para as empresas e os empresários de Braga.
De facto, a empresa Casais tem o seu nome derivado dos caseiros das terras da Ordem Beneditina que eram apelidados de ‘casales’ uma vez que Maria, tetra avó de José da Silva Fernandes, presidente do conselho de administração da empresa, foi caseira do Mosteiro.
Foi ressuscitado antigo claustro do refeitório (destruído por um grande incêndio no final do século XIX), o noviciado, o hospício e a parte da ala Sul onde se encontram a livraria, a cozinha e alguns espaços anexos.
A recuperação dos espaços permitem ampliar o circuito de visitas, instalar um centro de informação de ordens monásticas, com uma comunidade religiosa que vai gerir uma hospedaria e um restaurante.
Braga vive amanhã um dos seus dias esplendorosos, fazendo jus ao nome de capital do Barroco.
Ignorar isso é bacoquice.
Monday, June 29, 2009
Braga: a noite meiga e bendita

Para lá da folia, acho que os galegos têm toda a razão, quando chamam ao arraial de S. João — porque eles também o vivem — a noite meiga e mágica, animada pelas sardinhas, pão de milho, a queimada (bagaceira especial), jogos para as crianças e bailes para os crescidos.
É mesmo um intervalo de meiguice e magia em mais de trezentos dias de árdua canseira para ganhar o sustento da sobrevivência de tantos. Estes momentos de meiguice e de magia fazem-nos tanta falta como o pão que tão caro nos custa todos os dias.
Os trabalhadores — enquanto classe — foram destacadamente dignificados na obra "O Capital" de Karl Marx, ao mesmo tempo que Paul Lafargue defendia "O direito à preguiça": a escravatura do ser humano acicatada pela revolução industrial só podia ser destruída pelos que lhe davam corpo: os trabalhadores.
Hoje, ainda dizemos, sem saber bem porquê, que algumas pessoas trabalham como galegos... mal sabendo que foi o sogro de Karl Marx quem definiu os nossos vizinhos como um exemplo dos devastadores efeitos que o trabalho causa no organismo das pessoas. Para Lafargue, era o intenso trabalho a que os galegos eram obrigados que os tornava feios, em contraste com a beleza de outros povos, como os alentejanos ou andaluzes, com a fama de preguiçosos ou lentos...

Os especialistas do nosso tempo, preferem tratar-nos como "workaólicos", ou seja, viciados ou alcoólicos do trabalho, apresentando como exemplo os japoneses que ocuparam o lugar do minhotos-galegos. São aqueles que trabalham no batente durante doze ou catorze horas, diárias.
Não é humor negro, mas a actual crise que , em tão poucos meses, criou dezenas de milhões de desempregados, é a melhor terapia de desintoxicação deste vício do trabalho a que os novos gestores — da liberdade do mercado e da economia livre — nos castigam.
Após alguns séculos de pregação da Igreja contra a liberdade sexual, teve que ser um papa — a quem todos colocam o rótulo de conservador —, Bento XVI, que nos veio alertar, mais uma vez, entre tantas vezes em que não ligamos patavina ao que os seus antecessores disseram, sobre o trabalho desenfreado não na cama, mas nas fábricas e oficinas.
É um papa alemão, povo que, entre outras famas e proveitos, goza a de ser um povo trabalhador, que nos vem propor um estilo de vida mais brasileiro, como seja, mais samba e menos trabalho. Bendito seja Benedictus XVI porque a sua condenação do trabalho desenfreado, incluindo os dias do Senhor, é algo extremamente ecuménico, uma vez que crentes e não crentes, judeus e muçulmanos, budistas e hindús, testemunhas de Jeová ou Metodistas, Luteranos ou Mórmones estão de acordo.
O trabalho dignifica o Homem mas quando o Homem se torna escravo do trabalho, passa a ser pecado uma vez que nos faz esquecer do que é importante na vida pessoal, familiar, social, cultural e da cidadania.
O ser humano não pode ser reduzido a braços ou carne para canhão — seja ele de guerra, de dinheiro ou da exploração —pois deve ser-lhe dada a oportunidade, isto é, tempo, para cultivar o espírito, nas suas dimensões culturais, religiosas, sociais e recreativas e desportivas tão necessárias a uma mente sã num corpo são.

Neste dia em que Braga atinge o fulgor das suas festas e da sua folia, o que o Bendito Bento XVI nos veio dizer, com toda a solenidade, é que o trabalho em demasia não só se torna prejudicial para o corpo como danifica a alma: o trabalho é como o bom vinho. É bom em dose moderada, mas em dose exagerada tolda o espírito do ser humano e faz dele um animal (de carga).
É caso para dizer que não há mal que venha por bem mas não há bem que nunca acabe: o trabalho começa a ser um milagre nos tempos que correm.
O S. João é uma noite meiga, mágica e bendita... palavra de Benedictus XVI.
Panoias: estacionamento enriquece o adro
Com cerca de quatrocentas famílias, a paróquia de Panoias está em festa hoje com a celebração da comunhão solene para treze crianças, num dos momentos altos da vida ao longo do ano pastoral assinalado recentemente também pela visita que o Bispo auxiliar de Braga fez a esta comunidade.
Ainda com as marcas da acção evangelizadora e promotora da dignidade humana que foi desenvolvida pelo Padre Mesquita, através da sua "universidade", Panoias também deixou de ser uma freguesia que ficava "fora de mão" para quem circulava nas principais vias do concelho de Braga embora se debata hoje com a escassez de terrenos para a construção de habitações para fixar os mais jovens. Não é esta a única razão, mas a diminuição de casamentos e de baptismos em Panoias nos últimos sete anos é também um testemunho desta situação que traduz um empobrecimento da comunidade que coloca em causa o seu crescimento.
O padre José Figueiredo dá-se conta de "um êxodo grande dos mais novos porque não se constroem casas novas" o que ajuda a explicar que. por exemplo, dos 23 baptismos celebrados em 2001 haja uma queda para oito baptismos em 2007. Esta queda não tem paralelo com o que se passa em outras freguesias onde o padre José Figueiredo de Sousa presta serviço, onde o ritmo se mantém, como é o caso de Parada de Tibães.
Pelo seu território ainda se vislumbram algumas quintas agrícolas, mas grande parte da agricultura que ainda se faz é de simples sobrevivência, até porque a maioria da sua população ganha o pão através do trabalho nas empresas têxteis, em pequenas empresas e nos serviços municipais e públicos.
A sua sala de visitas, ou seja o adro da Igreja, vai entrar em obras que profunda remodelação, aproveitando a cedência de uma parte do passal da paróquia para espaço de estacionamento, que está já em execução, num projecto desenvolvido pela Junta de Freguesia e Câmara Municipal.
Depois do parque de estacionamento, com pequenos espaços para jardim, será feito o arranjo urbanístico do adro, aproveitando a oportunidade das obras para ampliar o cemitério. Trata-se de um investimento público que a comunidade paroquial merece depois do que fez até agora para ampliar a Igreja matriz, em 2002, renová-la nos telhados da nave principal e colocando um tecto novo. No ano de 2006 foi colocado um soalho novo e reconstruído o coro alindado com um novo pára-vento que transformou a Igreja "num templo aconchegado e acolhedor".
Pela frente, a comunidade panoiense tem agora a tarefa de cuidar da talha dos altares, quer o altar-mor quer os laterais, de modo a salvaguardar aquela riqueza existente.
O património da comunidade inclui ainda a residência paroquial transformada para acolher salas para a catequese, uma pequena biblioteca doada pelo padre Mesquita, permitindo algumas condições para as aulas de catequese e instalação do cartório paroquial, além de uma pequeno salão.
A catequese envolve 150 crianças que frequentam os dez anos do catecismo, sob orientação de 17 catequistas. A estas coloca-se o desafio da formação pedagógica e doutrinária para que consigam responder às dúvidas e perguntas que as crianças fazem.
A catequese é agora uma tarefa muito exigente para os catequistas cujas crianças vêm da Escola em contraponto de valores e ensinamentos, ou seja, "os valores da escola não coincidem com os do Evangelho e aos catequistas é-lhes pedido (ou exigido?) capacidade para saberem dar as respostas a este conflito de valores e de conceitos" — refere o padre José Figueiredo que serve esta comunidade há quase três anos.
Para isso, os catequistas têm de dedicar mais tempo à preparação da catequese, ser dotados de ferramentas pedagógicas e segurança bíblica, o que se torna difícil para uma grande maioria, por falta de tempo para frequentarem acções de formação e preparação. As pessoas têm hoje as suas vidas muito ocupadas e não sobra tempo para a preparação e acções de formação.
Durante a catequese, as crianças têm uma celebração Eucarística para elas, aos sábados, às 18 horas, culminando a tarde de catequese para os mais novos, uma vez que os mais crescidos têm catequese às sextas-feiras ao fim do dia. A Missa permite também introduzir e familiarizar as crianças com a Liturgia, uma vez que são elas quem faz as leituras.
Para os mais novos, existe em Panoias um grupo de jovens que prepara a Via-Sacra na Terça-feira da Semana Santa, a partir da Legião de Maria, com adolescentes e jovens, que não está enquadrado em qualquer movimento de jovens. O padre José Figueiredo de Sousa recorda a tentativa de avançar com um "grupo mais estruturado nos Jovens em Caminhada mas a adesão não foi estimulante para continuar", mesmo com o apoio de um grupo de Jovens de Padim da Graça. Em tempos que lá vão existiu na paróquia um Grupo Coral de Jovens que também acabou, o mesmo se dizendo do Agrupamento de Escuteiros do tempo do padre Mesquita.
As celebrações dominicais são animadas pelo Grupo Coral, com cerca de 30 elementos, apesar não ter organista próximo. O organista vem da freguesia de Dume mas não pode estar nas celebrações todas nem dar apoio às Missas das Catequese.
No que se refere a Confrarias, Panoias possui a Confraria do Santíssimo Sacramento, da Senhora da Purificação e da Senhora dos Aflitos. A Confraria da Senhora da Purificação celebra a festa no dia 2 de Fevereiro, mas a devoção mais dinamizada em Panoias é a S. Vicente no último Domingo de Janeiro, com Missa Solene e pregação à tarde.
A padroeira de Panoias é a Senhora da Assunção, a 15 de Agosto, e constitui a grande festa da paróquia, destacando-se a Procissão da tarde com muitos andores e muitos figurados, a qual, saindo da Igreja, percorre várias ruas da freguesia (Escola, Pontezinha, Boucinha, Souto) e regressa à Igreja, acompanhada de banda de música, com ranchos. A festa é preparada ao longo do ano coma realização de bazares para angariar receitas.
A festa tem um momento alto no dia 14, com Procissão de Velas e arraial nocturno que vai pela noite dentro. "É uma festa muito participada" - reconhece o padre José Figueiredo.
O presépio movimentado de Natal deixou de ter condições espaciais para ser feito e foi um projecto abandonado mas a Páscoa continua a ser celebrada com o compasso de três cruzes que fazem, nas calmas, a visita pascal, dada a concentração de habitações e planura da paróquia.
Em Panoias, mas mais ligada à Junta de Freguesia, existe uma Associação de Reformados que organiza algumas festas e passeios, bem como convívios, para os quais o pároco é convidado e participa sempre que pode.
No entanto, o destaque vai para um grupo de oração que se reúne às sextas-feiras para rezar, reflectir e ler as Escrituras, bem como adorar o Santíssimo sacramento. O padre José Figueiredo de Sousa destaca o carinho das senhoras que, num gesto voluntário permanente, cuidam do embelezamento e limpeza da Igreja Paroquial, todos os sábados de manhã e"fazem-nos muito bem".

UM CRUZEIRO NUM MARCO
. O Cruzeiro de Panóias é quase único: a cruz encaixa-se num pedaço de um marco miliário, para ali levado há muitas décadas. Existe outro semelhante em Terras de Bouro, na freguesia de S. João do Campo.
O povo ainda falava de um monumento pré-histórico, alusivo às divindades da fecundidade mas quando alguém conseguiu decifrar as letras que a pedra tem inscritas em relevo, ficaram dissipadas as dúvidas: é um pedaço de um marco miliário que talvez tenha sido trazido da estrada romana de Braga em direcção a Prado até Astorga, que passava em S. Paio de Merelim.
Foi Albano Belino quem conseguiu ler o que diz no marco miliário, plantado ao contrário, aguçado em cima para destacar mais a cruz. Lá está escrito: DD NN VALENTINIANO E VALENTI FORTISSIMIS PRINCIPIBUS SEMP AUGUSTUS. Esta é a inscrição mais recente porque a mais antiga, do tempo do imperador Tibério, reza o seguinte: VIII CONSUL, V, TRIB, POTEST, XXXIV BRACARAUG.
Tuesday, June 23, 2009
Palmeira, Dume e S. Vicente querem novo pólo pastoral

D. Jorge Ortiga encerrou o programa de visitas pastorais às paróquias do concelho de Braga, em Palmeira, com uma celebração solene do sacramento da Confirmação para vinte e cinco jovens e cinco adultos, culminando uma presença que se iniciou sexta-feira com a Assembleia paroquial. Palmeira foi a primeira paróquia — há 40 anos — a fazer o compasso pascal, apenas com leigos.
O Arcebispo primaz contactou com uma comunidade bipolar — marcada pelas celebrações litúrgicas na Igreja paroquial e na Capela de S. Estêvão no lugar da Póvoa — marcada pela entrada de famílias novas para as urbanizações que vão nascendo nesta freguesia dos arredores de Braga.
A característica bipolar faz com que grande parte das pessoas do pólo da Póvoa apenas se deslocam á Igreja matriz nos baptizados ou nos funerais, uma vez que os restantes momentos da vida religiosa se desenrolam e celebram na capela de S.Estêvão.

O Padre Manuel Graça Oliveira serve Palmeira desde há pouco mais de ano e meio mas já reconhece algumas características desta comunidade onde escasseia ainda o espírito de corpo: "Isto não é negativo, mas as pessoas não têm um grande sentido de comunidade e necessidade de compromisso com a paróquia. Vão à missa a várias igrejas da cidade de Braga e por isso não há grande sentido de pertença. Aquele sentimento de afirmar "esta é a minha paróquia" ainda não existe. Porque existe muita mobilidade e há famílias novas que não eram de cá e mantêm as ligações à sua terra".
Como forma de contrariar esta característica, ganha contornos a ideia de criação ou construção de um novo centro religioso, perto do estádio novo de Braga, uma vez que as Igrejas paroquiais de S. Vicente, de Palmeira e de Dume ficam distantes.
Apesar destas características, as gentes de Palmeira têm dado provas da sua dedicação à paróquia de que é testemunho o novo Centro Comunitário pastoral, um equipamento que dotou a comunidade de espaços dignos para as actividades pastorais e sedes para os movimentos juvenis. Os compromissos assumidos com os bancos para financiar a construção estão resolvidos e restam agora pequenos compromissos com empresas privadas.

A paróquia, além do Centro Comunitário tem como património o Centro de Catequese, ao lado do cemitério, a Igreja paroquial (construída já no século XX, a partir da setecentista capela de S. Sebastião quando a antiga Igreja paroquial — no lugar de Assento — foi demolida) e as capelas do Senhor dos Milagres e de S. Estêvão, no lugar da Póvoa.
A prioridade da comunidade paroquial está agora em fazer alguns melhoramentos no telhado e na torre da Igreja paroquial, mas só depois de liquidadas as contas pendentes do Centro Comunitário. O Centro Comunitário acolhe espaços para as actividades pastorais, sede do Corpo Nacional de Escutas, salas para reuniões, auditórios e residência comunitária de sacerdotes
Com cerca de 1200 famílias que acedem à vida comunitária através de um jornal mensal — "Notícias de Palmeira —, Palmeira possui dois pólos de catequese, um na Igreja Paroquial e outro no pólo da Póvoa, em torno da capela de S. Estêvão, totalizando mais de 330 crianças. O pólo de catequese da Igreja tem 277 crianças e o da Póvoa que goza de certa autonomia tem meia centena de crianças, onde são seguidos os dez catecismos sob coordenação de 32 catequistas, de vários escalões etários, um número escasso para as necessidades.
"Faltam catequistas pois alguns grupos são muito grandes e mais formação" — admite o padre Manuel Graça Oliveira dando o exemplo da formação para a Primeira Comunhão, com 49 crianças e apenas quatro catequistas.
No que se refere à juventude, a paróquia de Palmeira possui um grupo de jovens que resulta do grupo que foi crismado no ano passado e "tem sido o motor de animação da liturgia da Missa dos sábados, alem de possuir uma forte componente de voluntariado que presta serviço no Banco Alimentar contra a Fome". Além disso, desenvolvem outras actividades.
O grande motor de unidade da juventude em torno da comunidade é constituído pelos 84 jovens que formam o agrupamento do Corpo Nacional de Escutas (CNE) que "trabalha muito bem e está bem estruturado" — sublinha o pároco de Palmeira que destaca as quatro secções que cobrem a paróquia toda.
Os mais crescidos têm o apoio da Legião de Maria, com dois pólos, um à volta da Igreja e outro na Póvoa. Este movimento de espiritualidade mariana tem uma componente sócio-caritativa através da distribuição de alimentos a agregados familiares carenciados, mediante um levantamento feito pela Junta de Freguesia e com apoio do Banco Alimentar contra a Fome. A Legião de Maria tem cerca de vinte militantes.
Se é verdade que as confrarias já não têm o dinamismo de outros tempos, Palmeira mantém ainda as irmandades do Santíssimo Sacramento, de S. Sebastião, Nossa Senhora de Fátima e Nossa senhora da Purificação (padroeira da paróquia). Por agora, vão cumprimento as obrigações estatutárias.
As celebrações litúrgicas são animadas por dois grupos corais. O Grupo Coral da paróquia, dirigido pelo Padre Sebastião Faria, "canta muito bem, com vozes bem trabalhadas e possui cerca de 40 elementos" que animam as Eucaristias em dois domingos por mês. O Grupo juvenil, dirigido e ensaiado pela Professora Mónica, é constituído por trinta elementos e anima uma Eucaristia dominical por mês.
Interessante é a festa de Natal no Domingo de Reis proporcionada pelos dois grupos que aliam a grande música sacra à música popular tradicional de sabor religioso, que são cultivadas ao longo do ano para ser mostrada e preservada nesta festividade. Nos últimos, anos, estes grupos corais mantêm um concerto de música clássica, na quadra da Páscoa, com grupos vindos de fora, como foi este ano com a participação da Capella Bracarensis e da Orquestra Sinfonieta de Braga.
No capitulo das festas, a paróquia de Palmeira vive com intensidade os festejos em honra do Senhor do Rio, com arraial popular no segundo Domingo de Maio, na capela do senhor dos Milagres, o mesmo acontecendo com a festa do Senhor da Saúde, na Póvoa, no segundo Domingo de Agosto. A Póvoa acolhe também em 26 de Dezembro a festa em honra de Santo Estêvão, titular da capela ali existente. Na Igreja Matriz, com celebrações religiosas, é assinalada a festa da padroeira, no dia 2 de Fevereiro, dia de Nossa Senhora da Purificação cuja imagem, no altar-mor, do artista Fânzeres, é lindíssima.

O mês de Maio é vivido com grande intensidade, quer na Igreja matriz quer nas duas capelas (Da Póvoa e do Senhor dos Milagres ou do Rio), encerrando com uma procissão de velas entre a Capela do senhor do Rio e a Igreja matriz.
Palmeira foi a primeira freguesia de Braga — há 40 anos, ao tempo do padre José Maria Vieira da Costa — a fazer o compasso pascal com leigos. Hoje são oito as cruzes ou compassos que percorrem a freguesia, com a particularidade de grande parte dos mordomos serem proprietários da Cruz que visita as casas. O mordomo traz a Cruz à Igreja para a bênção. É-lhe entregue no dia seguinte e durante o ano fica em sua casa.
O padre Manuel Graça Oliveira é o director de um jornal de informação e documentação, através do qual procura criar um espírito de comunidade maior. Com quatro páginas o "Notícias de Palmeira", com fotos a cores, dá conta do que mais importante acontece na vida da comunidade, desde os baptismos, funerais, desporto, actividades das associações existentes na freguesia,políticas, civis e religiosas, bem como uma rubrica sobre o passado da história da freguesia.
Aliás, a Junta de Freguesia apelou a todos os residentes que possuam contributos para que os cedam de forma a elaborar uma monografia desta freguesia.