Monday, December 2, 2013

Viver em Braga é bom … comprovadamente


Há alguns dias, um estudo europeu comprovava que noventa e cinco por cento dos bracarenses gostam de viver em Braga.
Era uma das conclusões do Eurobarómetro da Comissão Europeia, relativo à ‘Percepção da qualidade de vida nas cidades europeias’, e que foi divulgado ontem.

O inquérito foi realizado em 79 cidades europeias, de todos os Estados-Membros da União Europeia, bem como a Islândia, Noruega, Suíça e Turquia.

Braga, Lisboa e arredores foram as cidades portuguesas chamadas a valiara satisfação dos habitantes relativamente às infraestruturas, à facilidade de encontrar emprego e habitação, à segurança e aos serviços públicos.

No caso da saúde, 58% dos bracarenses inquiridos estão satisfeitos, e só 14% estão totalmente insatisfeitos. Os transportes públicos satisfazem muito 59% dos bracarenses e, no acesso à cultura, 60% dos inquiridos responderam afirmativamente.

Quase 80 por cento dos bracarenses consideram a cidade limpa e segura e elogiam a boa integração das pessoas estrangeiras.
Se estes números devem elevar a auto-estima dos bracarenses e daqueles que governam a cidade – no poder ou na oposição, sem que se sintam envergonhados – é bom notar lguns dados que escaparam às notícias.

Assim, Braga bate Lisboa na qualidade de vida, neste estudo que envolveu 83 cidades e a coloca em 24.º lugar, vencendo também Lisboa na categoria de melhores espaços públicos. Também na segurança, Braga fica a léguas de Lisboa.

Mais, Braga ocupa o primeiro lugar, entre 83 cidades, nos melhores estabelecimentos de ensino o que deve potenciar a Cidade dos Arcebispos como Cidade da Educação.

Mas há outro capítulo em que Braga ocupa o primeiro lugar entre as 83 cidades. A capital do Minho é a cidade europeia onde é mais fácil comprar casa a preços razoáveis. Lisboa aparece em 24.º lugar.
E ainda mais, no nove sectores em análise, apenas a cidade de Groningen ultrapassa Braga, com três primeiros lugares.

Se olharmos estes números e os compararmos com cidades como Lisboa, Manchester, Paris, Atenas, Zurique, Viena, Munique, Oslo, Málaga, Malmoe, Lille, Hamburgo, Estrasburgo, Helsínquia e Praga, podemos afirmar comprovadamente que Bracara Augusta é uma cidade europeia de corpo inteiro, onde é bom viver, comprovadamanete.

Rentabilizar, turisticamente, estes números, é uma oportunidade a não desperdiçar. Braga destaca-se na Europa como cidade jovem, segura, limpa, educadora e acolhedora, com um património ímpar (material e espiritual) que lhe dá uma singularidade sem par.

Liberdade de escolher cada vez menor




Um amigo nosso enviou-nos um link que nos deixa estarrecidos. Convido os que sabem inglês a lerem com os seus próprios olhos. Da nossa parte, para aqueles que não tiveram a sorte de apreender a Língua de Sua Majestade, deixo aqui um resumo de http://www.policymic.com/articles/71255/10-corporations-control-almost-everything-you-buy-this-chart-shows-how. Vejam especialmente os gráficos ampliados.

Dez multinacionais controlam a comercialização de quase tudo o que cada um de nós compra, desde os produtos domésticos até aos alimentos para animais e vestuário.

A Reddit  elaborou um estudo com gráfico, intitulado “A ilusão da escolha” que nos mostra como essas dez empresas criaram uma cadeia que se inicia numa dessas dez super-empresas.

Grande parte dos nomes estão nos nossos ouvidos mas é impressionante e incrível ver até onde chega o seu poder influência.

O gráfico da Reddit mostra-nos uma mistura de redes de empresas mães que possuem acções e são parceiras num conjunto alargado e diversificado.
A Coca Cola possui uma rede que envolve outras quinze multinacionais que vão desde a Fanta às águas minerais, Sprite e Dasani ou Pour, Nestea.

A Proctor & Gamble – maior anunciante dos EUA -  participa num conjunto de empresas que produzem tudo, desde medicamentos a pastas dentífricas e vestuário.
A Nestlé factura duzentos biliões de dólares, é a maior empresa de alimentos do mundo e possui oito mil marcas, como os champôs L’Oreal, os alimentos para bebé Gerber, as roupas Diesel, os chocolates Kit Kat e as marcas de comida para animais Purina e Friskies.

Sabe que a Unilever dos sabões e detergentes Breeze, Confort, possui dois biliões de clientes em todo o mundo, controla as manteigas da Knorr, Becel, Hellmans, cervejas, os chocolates Magnum, os chás Lipton, os desodorizantes Axe e Dove, a Pepsodent, Vaseline, entre mais de cinquenta marcas que fazem parte do nosso dia-a-dia?
Estas redes diminuem a capacidade de escolha, aceleram os monopólios mas o perigo maior é este: seis das dez maiores multinacionais controlam noventa por cento da publicidade na TV, rádio e Imprensa.

Nos Estados Unidos e na Europa, 37 bancos que já eram gigantescos fundiram-se para dar origem apenas a quatro — JPMorgan Chase, Bank of América, Wells Fargo e Citigroup – que detêm 77 por cento do dinheiro nos EUA. Nos Estados Unidos existiam 12 mil bancos em 1990 e hoje são oito mil.

Como responder a esta ameaça? Só há uma saída urgente: apoiar os nossos pequenos produtores e dar-lhes condições para um comércio de qualidade.
Nós podemos escolher. Estamos à espera de quê? Lutem pela liberdade de escolha contra a intoxicação de uma minoria que esmaga tudo e todos, incluindo a comunicação social que nos alimenta a ilusão da liberdade de escolha.

Redes: sorriso que traz desgraças


Existem muitos pais e mães babados que gostam de colocar ns redes sociais – com destaque para o Facebook — as fotos dos seus rebentos e algumas das suas habilidades.

Todos sabemos que os nossos filhos são os melhores do mundo mas isso tem pouco interesse para os outros pais – porque eles pensam os mesmo dos seus herdeiros.

Todos os anos, no dia 5 de Fevereiro se celebra o Dia da Segurança da Internet, em que os pais são sensibilizados a acompanhar as viagens dos filhos nesse mundo sem fim. Ora, esse cuidado começa pelos pais que tantas vezes se comportam como crianças.

Portam-se assim porque ignoram que um simples clique, uma imagem partilhada pode dar início a um pesadelo um pesadelo. O que para um pai ou pai é uma inocente foto do filho, tirada na praia, para outros pode representar um verdadeiro objecto erótico.

E não podemos acusar o Facebook disso. Um estudo do Facebook dá conta que mais de 60% dos novos pais britânicos publica no Facebook fotografias dos seus filhos recém-nascidos quando estes têm menos de uma hora de vida.
Por mórbido e execrável que nos possa parcere, estas fotos são uma verdadeira delícia para os pedófilos e maníacos obcecados pela busca constante de fotografias infantis na internet.

O problema começa quando estas imagens são de crianças nuas ou nas quais seus filhos, recém-nascidos ou já um pouco maiores, fazem determinadas posturas. O pedófilo busca isso constantemente e, ao ver a fotografia da criança, crescerá nele o desejo sexual de possuí-la.

Os pais novos conhecem touch-screen e usam-no nos telemóveis e outros artefactos. Mas o que isso tem a ver com a pornografia?

Tem tudo a ver, pais  que têm tanto de babados como de incautos: além da visão, o tacto aumenta o prazer. As fotos são vistas, contempladas, observadas com zoom, aumentando, com os dedos, zonas íntimas, que aumentam a obsessão do pedófilo.

Voltemos aos números oferecidos pelo Facebook Itália: em 2012, 300 mil os menores de 13 anos tinham um perfil nesta rede social – um número que só tende a crescer.

 Todos os dias, só no Facebook, há 600 mil tentativas de entrar numa conta de terceiros… Para proteger as suas passwords, ligue-se a www.internetsegura.pt e descubra as ferramentas de protecção que pode utilizar.

A imagem do seu filhote ou filhota  que circula online pode ser adquirida e usada por terceiros, sem que haja uma autorização prévia do legítimo titular –  no caso dos menores, são os próprios pais.

Este é um caminho longo e complexo, muitas vezes incapaz de eliminar toda mancha de violência sofrida pelo menor, às vezes vítima da obsessão do pedófilo, mas sobretudo da incúria dos pais.

Devido a esta negligência, quantas vezes os melhores filhos do mundo — que são os nossos — vivem os maiores pesadelos do mundo.

S. Pedro d'Este: sucesso no Brasil


Casal de sucesso Português de Braga


No seu grosso livro de memórias, o grande secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger escreveu que o “sucesso resulta de cem pequenas coisas feitas de forma um pouco melhor”.

Este princípio de vida aplica-se perfeitamente a um casal de bracarenses que no começo da década de noventa decidiu palmilhar o caminho do sucesso em terras de Vera Cruz.
A professora Maria da Luz e o marido Manuel Pinheiro deixaram S. Pedro d’Este  e criaram perto de Jacarepaguá uma empresa de eletromecânica.

Esta empresa familiar tem como actividade principal a fabricação de móveis. Nesse universo, a empresa fabrica armários multiuso, profissionais, especiais e acessórios, e é uma das sete unidades do grupo Nilko.

Os clientes da Nilko Armários vão desde a dona-de-casa que queira arrumar a sua habitação, passando pelo colégio que pretende cacifos para os alunos, até a refinaria de petróleo que tem que oferecer um vestiário aos colaboradores.

A Nilko é hoje um grupo de empresas e serviços de telecomunicações, informática e distribuição de energia.

Associada está outra marca, a Multimeios que fabrica tudo o que é preciso para montar uma escola moderna, bonita e segura, desde móveis, armários de aço, relva sintética, pisos de recreios, parques infantis e brinquedos.

Localizada em Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro, a Multimeios já foi agraciada com o Prémio Qualidade Brasil, galardão dado à empresa que mais de destaca no atendimento dos clientes e na qualidade de produtos e serviços.

Este casal de bracarenses prova que o sucesso torna as pessoas modestas, amigáveis e tolerantes, uma vez que também já recebeu o prémio que glorifica a sua responsabilidade ambiental, com o nome de Chico Mendes, o grande activista da preservação da Amazónia.

Este Prémio mostra ao país, através de uma gala de grande porte e divulgação, exemplos de solução conflitos entre desenvolvimento, justiça social e equilíbrio ambiental.

É o maior prémio sócio-ambiental brasileiro e foi conquistado por um casal de bracarenses... cujo sucesso se conquista sem danificar natureza e espezinhar os direitos dos trabalhadores.


Monday, September 2, 2013

Pousada: o decano dos autarcas


Joaquim Gonçalves, presidente da Junta de Pousada é o decano dos autarcas de Braga que este Domingo foram alvo de uma homenagem no âmbito da Feira das 62 Freguesias.

Com dez mandatos quase concluídos, Joaquim Ribeiro Gonçalves é a personificação da simplicidade no exercício do poder e o rosto da persistência na defesa dos interesses da sua população. De perto acompanham-no João Dias Pereira (Frossos) e João Dias Gomes (Arcos S. Paio), com nove vitórias eleitorais.

Podem discutir-se as suas ideias, mas a forma como se dedica à sua terra (com idas quase diárias aos serviços municipais para resolver problemas dos seus conterrâneos e da sua autarquia) é de uma beleza singular.

Ele é o rosto ímpar do poder local democrático desde o 25 de Abril numa terra simbolizada pelos cachos de uvas espiga de milho, imagens da produção vinícola e do cultivo do milho.

Joaquim Gonçalves é, qual ponte de Proselo, ex-libris da freguesia, de estilo românico, um dos mais belos monumentos humanos de Pousada, nas margens do Rio Cávado, que banha a freguesia. De acordo com a lenda local, esta ponte foi construída para conquistar as terras da outra margem do rio, pelos homens numa única noite, com pedras trazidas pelas mulheres que vinham de Terras de Bouro, a cerca de 30 quilómetros da zona.

Numa freguesia com vários locais de interesse turístico - Quinta de Lages, Casa da Pereira e Ponte do Porto – não foi acompanhado por outros poderes na requalificação do enorme património construído que testemunha tempos de riqueza e abundância nos séculos XVII e XVIII.

A Igreja Paroquial, as Capelas de Nª. Sra. de Fátima e de Sto. António testemunham a religiosidade de um povo que festeja S. Paio e celebra a Senhora de Fátima num belo templo moderno com escadório enriquecido de belos azulejos pintados. 

A Capela de Srª. de Fátima (no lugar da Gregoça, foi doada à freguesia por D. Maria Irene da Silva Araújo, esposa do Dr. Francisco Salgado Zenha). É a menina dos olhos do autarca que gere Pousada há 37 anos.

As Quintas de Além, da Pena e de Lages, Casa de Sampaio, Ponte do Porto ou de Proselo e Vinha de Lages (Castro Agrícola) são exemplos dessa abundância em séculos passados e de iminente ruína após abandono nas últimas décadas pelos seus proprietários.
A casa de Lages é um solar setecentista. No século XVI era foreira da igreja de Pousada, passando em 1595 a pagar foro ao Convento do Pópulo.

A sua fachada actual foi mandada construir no primeiro quartel do século XVIII por Francisco do Vale Araújo, Familiar do Santo Ofício. Era último senhor o Eng. Amadeu de Sá Menezes, quarto neto deste último.

A casa tem salas com paredes e tectos pintados (em tela ou fresco) e possui uma Capela datada de 1725, com um belíssimo altar barroco.

Da Casa da Pena, frente à sede da Junta, foi seu primeiro senhor D. João Nunes de Cerveira, no século XII, filho de D. Nuno Soares Velho, cavaleiro medieval do Reino.



Ao longo dos dez mandatos, Joaquim Ribeiro Gonçalves deixa uma freguesia dotada de Sede da Junta (com apoio social e salão de festas), Jardim de Infância (2 salas), Escola Básica do 1.º Ciclo (3 salas e cantina) e Polidesportivo.

Na sede da Junta é prestado Serviço de Enfermagem quinzenal, à 5ª feira, e uma carrinha presta apoio às crianças e associações da freguesia.

Dos grandes melhoramentos, para além de uma extensa rede viária, abastecimento de água e saneamento, o alargamento, pavimentação e colocação de colectores de águas pluviais na Rua de Além, requalificação da sede da Junta de Freguesia e da Escola Básica do 1.º Ciclo, drenagem de esgotos, estação elevatória e conduta elevatória com ligação à E.T.A.R. de Crespos e colocação de antenas para acesso gratuito ao serviço de internet sem fios, em qualquer ponto da freguesia constituem a herança de um autarca requintado.

Com quase 500 habitantes, Pousada vai ser agregada a Crespos, por força da prepotente reforma administrativa do território.

Wednesday, May 29, 2013

Na Alfacoop, em Ruílhe: fotos que querem educar



Acidentes rodoviários” é uma exposição de fotografias que merece “ser itinerante pelas nossas escolas e vou propor que isso possa acontecer” – disse Palmira Maciel, em Ruílhe, na Alfacoop-Externato Infante D. Henrique.

A vereadora da educação, que representou o presidente do Município de Braga, falava na sessão inaugural da exposição de fotografias de Flávio Freitas sobre a sinistralidade rodoviária que está patente até 10 de Maio.
José Ferreira, director da escola, destacou as potencialidades da fotografia na formação integral dos alunos e agradeceu à GNR e Bombeiros Voluntários de Braga pela colaboração na iniciativa (cf. www.eidh.eu). 

A exposição do fotógrafo do jornal Correio do Minho integra-se neste programa de sensibilização da comunidade escolar - segundo e terceiro ciclos e profissionais do ensino secundário - para a necessidade de “educação rodoviária, como uma componente essencial da educação para a cidadania”.

Na presença do tenente Silva, oficial da GNR que desafiou a Escola Cooperativa da Alfacoop a avançar para este projecto, José Ferreira agradeceu o apoio da Junta de Freguesia de Ruílhe e da Império-Bonança que tornaram possível esta acção.

Coube ao antigo director do jornal Correio do Minho apresentar Flávio Freitas, destacando a sua permanente disponibilidade para que este trabalho fosse possível, com imagens que enriqueceram as páginas do Correio do Minho nas últimas décadas.

Costa Guimarães evocou alguns momentos da história da fotografia como uma das maiores criações do génio humano que, mercê da inovação tecnológica do digital, democratizou esta arte. “Hoje, todos podemos ser fotógrafos, com o nosso telemóvel” mas nem todas as fotografias podem ser publicadas. Essa é uma das diferenças entre a foto, em termos genéricos, e a fotografia de jornal que vale mais que “mil palavras” e serve de “testemunha ocular” do acontecimento que as palavras descrevem.
 
Nessa perspectiva, o fotojornalismo rege-se pelas mesmas regras do jornalista no que se refere aos direitos das pessoas à imagem, dignidade e bom nome.

Socorrendo-se da etimologia das palavras, Costa Guimarães destacou que a palavra grega “fotós” significa luz e “grafis” quer dizer “pincel”, ou seja, fotografar é “desenhar com luz e contraste”. 

Mas há uma peça da máquina fotográfica que dá força ou, quantas vezes, destoa das palavras que a acompanham: é a “objectiva” que desmonta a subjectividade de um texto. 

Costa Guimarães deu alguns exemplos do que deve ser uma fotografia jornalística (não manipulável) e concluiu que “ninguém consegue focar uma lente com os olhos cheios de lágrimas”.

Por isso, a crueldade das imagens de Flávio Freitas é entendida como trabalho da “objectiva” de quem não toma partido porque a sua missão é “registar pedacinhos da história humana, nas suas alegrias e nos seus dramas, nas suas derrotas e nas suas vitórias, na rota da esperança e nas ribanceiras do desespero”.








Moita Flores no Colégio D. Diogo: saber vale pouco em afectos

Sem afectos não vale a pena sermos grandes sábios” – afirmou sexta-feira, em Braga, o prof. Francisco Moita Flores, parafraseando Antero de Quental.
Este escritor, autarca, investigador criminal e professor falava no sarau cultural que encheu o grande auditório do Colégio D. Diogo de Sousa, numa iniciativa do Departamento de Português e Latim, enriquecido com música, dança, poesia, vídeo e teatro, interpretados por professores e alunos.

A noite abriu com a sonoridade do Ensemble do Colégio e o director da Escola confessou o orgulho que sente com os “nossos professores, os nossos pais e os nossos alunos” na construção de uma escola que “faz vibrar e sentir a beleza da cultura, da dança, da música e da literatura e tem um cuidado especial com a Língua portuguesa”.

O padre Cândido Sá afirmou que este é “um momento de satisfação e de realização dos nossos alunos” e agradeceu a presença do convidado da noite, Francisco Moita Flores.

O autor de novelas e romances, além de professor e investigador na área criminal, alertou os pais e jovens presentes que “não podemos perder tempo porque a vida é um bem escasso e não há tempo para perder com coisas fúteis”.

A vida deve ser vivida na “procura insistente da felicidade” que se conquista todos os dias “quando realizámos obras e concretizamos os nossos sonhos”. Por isso, “saber e amar são o único caminho para nos sentirmos em paz connosco” – assegurou Moita Flores.

Definindo-se como um “desassossegado”, Moita Flores pediu aos jovens que “não percam tempo com desencantos, desgostos, zangas e desarmonias” nesta caminhada em que “devemos procurar a felicidade através do sofrimento, do trabalho, do estudo para saborear depois o triunfo”.

Se nos demitirmos do trabalho e da dedicação, somos ultrapassados pelos que estão menos desatentos ao essencial da vida” – alertou este grande admirador do Papa Francisco que “tem o meu nome, o do meu pai, o do meu avô e o do meu filho”.

O escritor deve o gosto de ler ao pai e o prazer de escrever ao seu professor de português porque só se pode ser grande escritor se for grande leitor e “a nossa vida é um livro que vamos e vão-nos folheando”.

Nesse sentido, a actual crise económica e financeira “é a mais fácil de resolver. Já tivemos crises piores mas agora vivemos na era da informática e a maior crise é outra: “aceleramos o tempo e contraímos o espaço”. 
“Ficamos sem tempo para o fundamental: alimentar a relação afectiva com os outros; não há tempo para a família, para o amor, para um abraço, para os beijos e quando queremos esse tempo, já passou” – sublinhou o orador, arrancando palmas às centenas de pessoas presentes.

MERKEL É MAIS POBRE QUE EU…”

Francisco Moita Flores aflorou outro tema bem português: “a culpa é do outro e eu não tenho culpa de nada do que acontece e nos acontece”.
Durão Barroso atribuiu a tanga a Guterres, depois saiu e Santana Lopes culpou Barroso, Sócrates culpa o antecessor e Passos Coelho e Gaspar dizem que a culpa é de Sócrates e o país continua adiado - resumiu.

Portugal tem um bem precioso para não ser uma pátria adiada: “Quando Merkel veio a Lisboa, eu olhei para aquela figura que fala alemão e pensei: ela é mais pobre que eu. Eu falo uma das línguas mais faladas do mundo. Ela já alguma vez imaginou este património fabuloso que demos ao mundo, durante oito séculos, através da nossa diáspora, em todo o mundo?”

Quanto vale isto? – exclama o ex-autarca de Santarém, perguntando: “porque estamos tesos, não prestamos para nada?”


O GOLO MAIS SABOROSO DA MINHA VIDA

Amante de livros, da pintura (capaz de chorar diante de “Nenúfares” do impressionista Claude Monet - “e não me ajoelhei a rezar porque me podiam julgar maluco”-) e da música, Francisco Moita Flores ri-se, como “sportinguista” com as celebrações dos benfiquistas aos 91 minutos, a pedir cervejas e mais garrafas, a gritar “campeões” e um “melão de todo o tamanho, ao minuto 92, com o golo do Porto” que “foi o golo mais saboroso da minha vida”.

Depois explica-se: “Eu não percebo porque se fica triste por uma coisa completamente fútil e vã. É o tempo mais mal vivido e mais mal perdido da nossa vida. Por causa dos golos que os outros marcam. Não são nossos”.

A terminar a sua conversa com a prof. Andreia Lopes, Francisco Moita Flores deu duas notas ao auditório: “os livros são os nossos maiores amigos e são o maior instrumento da revolução para o futuro. Ensinem isto aos vossos amigos, filhos e netos”.

Citando Antero de Quental, numa carta a um amigo seu, o escritor disse: “desculpa por não te escrever há muito tempo, mas há uma cidade dos pensamentos onde todos os dias te dou o meu abraço. Sem afectos – concluiu -, não vale a pena sermos grandes sábios”.

Convivi com os mortos…
até perceber a ausência”

Um dos momentos emocionantes da noite aconteceu quando Francisco Moita Flores falou da sua carreira como investigador da Polícia Judiciária.
Convivi com os mortos a vida inteira. Conheço os mortos e o que lhes acontece a todas as horas, após os dias e os meses. Dormíamos a sesta dentro de caixões, nos intervalos do trabalho ou após o almoço. Para mim a morte era banal até ao dia em que me telefonaram um dia, quando estava no cemitério de Macedo de Cavaleiros” - narrou o escritor.

A tua Mãe morreu” – ouvi dizer do outro lado. Nunca a morte me batera à porta. Saí do cemitério como se fosse mais uma morte. Ao passar pelo Porto ainda era o cientista da morte mas quando cheguei a Coimbra senti que algo me incomodava com violência. Aquela não era um dos meus mortos. Cheguei a Lisboa para colocar uma gravata preta e encontrei a minha família toda a chorar. Aí, percebi o profundo desgosto. Ali descobri o que era morrer”.

Para Francisco Moita Flores foi preciso a morte da “minha mãe para eu, profissional da morte, perceber que morrer é a ausência de um abraço, de um beijo, de um toque, de um afago, dos passos; uma ausência tão definitiva. Eu estava despedaçado”.

Assim, conclui, “não vale a pena viver nas vis arrogâncias porque o que importa é construir os nossos afectos. A nossa crise mais profunda é esta”.





Tuesday, September 18, 2012

Braga não se pode alhear do (que se vive no) PS


É muito comum ouvir os representantes da nossa classe política lisboeta — quando elas não agradam — dizer que a verdadeira sondagem é a das urnas.

A democracia exerce-se através do voto individual, universal e secreto, pelo que outros exercícios são imperfeitos. É a sondagem das urnas.

Tanto é assim que todos aceitamos esta regra do jogo, quando decidimos participar nele e não há resultado posterior (vitória ou derrota) que justifique mudança da regras e de atitudes.

Vamos à questão, sem rodeios nem sofismas, que nos traz aqui, com lealdade, honestidade intelectual e respeito pelos militantes do PS, um partido essencial ao futuro de Braga, pelo que tem feito ao longo de 36 anos.

Em primeiro lugar, os números da eleição de Vítor Sousa, que se apresentou como candidato à liderança da Comissão política de Braga do PS, foram claros.

Em segundo lugar, Vítor Sousa não se apresentou aos militantes do PS como candidato à Câmara Municipal de Braga. Quem foi que o fez? Os militantes disseram não a quem se apresentou assim. Vítor Sousa não o fez.

Em terceiro lugar, Vítor Sousa disse antes e depois da eleição que cabe aos militantes do PS decidir o futuro incluindo a escolha de um candidato à Câmara Municipal.

Realizada a eleição, os militantes que prezam os superiores interesses do partido e os valores da democracia, devem aceitar o resultado e construir a unidade.

Que aconteceu? Em vez da unidade, surge uma lista alternativa à maioria vencedora para o Congresso da Federação do PS que é reforçadamente derrotada pelo voto dos militantes. Foi só para chatear, dirão.

Em quarto lugar, é aos militantes do PS — que gere os destinos de Braga desde 1976, o que reforça responsabilidade diante dos bracarenses — que cabe apresentar a melhor solução para o futuro de Braga.

É legítimo perguntar: os partidos políticos, com todos os defeitos e valores, deixaram de ser os instrumentos de combate da democracia em Portugal, sendo substituídos por estudos de opinião pública?

Quem se apresentou como candidato à Câmara de Braga aos militantes socialistas — apesar de inúmeros artigos de opinião de alguns que se arrogaram ao direito indevido de serem tutores dos militantes, tratando-os como incapazes — já conhece os resultados da verdadeira sondagem.

O estrebuchar dos comportamentos que se seguiram — lista para o Congresso Federativo e agora o pedido de uma sondagem — escondem realidades indecentes e obscenas para a democracia e o PS de Braga.

A começar por estarmos diante de um projecto pessoal e não político, acolitado por uma casta dita letrada, superior e detentora do pensamento político de uma “candidatura maior” que os militantes “menores” rejeitaram.

Depois, revelam todos — incluindo assessores presidenciais, professores e catedráticos — alguma lentidão na compreensão da realidade bracarense: o adversário é o PSD, não é Vítor Sousa nem os 70% de socialistas que o escolheram.

É essa a homenagem que prestam a Mesquita Machado, à sombra do qual engordaram nestas décadas?

Ninguém entende. Só se começarem a dizer claramente que a democracia é uma piada, um engano, uma fachada, uma falácia e uma mentira.  Se é isso, entreguem o cartão, porque não merecem ser militantes de nenhum partido democrático.

Debaixo d'Arcada: regresso após férias

Todas as quintas-feiras, às 19 horas, na Rádio de Braga Antena Minho,, em 106 Mhz, com reemissão cinco horas depois,  Debaixo d'Arcada é o nome de uma tertúlia sobre temas da actualidade minhota e bracarense.

É um  exercício plural de cidadania sobre temas que interessam aos bracarenses no qual participam os agentes mais directos da nossa democracia, os presidentes de Junta.
São eles,

António Sousa, presidente da Junta de Freguesia da Sé, eleito pela CDU

Firmino Marques, presidente de S. Vitor, eleito pela Coligação PSD/CDS

João Nogueira, presidente de Gualtar, eleito pelo PS.

Deixamos aqui o link do primeiro programa depois das Férias de  Verão.

http://www.antena-minho.pt/podcast.php?p=2528


Saturday, May 12, 2012

Um programa na rádio de Braga Antena Minho

Todas as quintas-feiras, às 19 horas, com reemissão cinco horas depois,  Debaixo d'Arcada é o nome de uma tertúlia sobre temas da actualidade minhota e bracarense.



É um  exercício plural de cidadania sobre temas que interessam aos bracarenses no qual participam os agentes mais directos da nossa democracia, os presidentes de Junta.
São eles,

António Sousa, presidente da Junta de Freguesia da Sé, eleito pela CDU

Firmino Marques, presidente de S. Vitor, eleito pela Coligação PSD/CDS

João Nogueira, presidente de Gualtar, eleito pelo PS.

Gala da Palavra no D. Diogo de Sousa



A palavra vestiu-se de poemas, engalanou-se de música (vocal e instrumental), inspirou depoimentos e coreografou danças que alimentaram um sarau cultural no repleto auditório do Colégio D. Diogo de Sousa, com a presença (falada e cantada) de Ana Bacalhau, do grupo Deolinda.

Trata-se de uma “tradição muito agradável” a mostrar que “somos aquilo que é fundamental, somos uma escola cultural” – sustentou o director da escola no início do sarau.

O Padre Cândido Azevedo e Sá não escondeu a sua alegria ao ver tantos pais, alunos, professores e convidados na sala numa noite em que o Colégio “gosta da palavra” e quis “elevar o espírito num mundo que só fala de números”.

O Director agradeceu a presença de Ana Bacalhau e de Zé Pedro Martins, compositor da banda, definindo-os como “pessoas com espírito de cultura que procura criar de forma moderna”.

Nesta iniciativa do Departamento de Língua Portuguesa, participaram alunos do ensino secundário, mas coube à professora Isabel Fidalgo abrir a noite com a recitação de poemas de Eugénio de Andrade.

Começa assim a festa do prazer das palavras “como quem morde as rosas”, tendo Ana Bacalhau escolhido a palavra “empatia” como a sua favorita, ao passo que aquela expressão que mais detesta é ”ah, isso vai ser muito complicado”, desafiando todos os jovens a fazer como ela: “arranjei uma maneira de descomplicar”.

Sobre as canções que interpreta, diz que são  feitas de histórias com personagens várias que nos rodeiam” e quanto a autores preferidos fala de Camões, Sophia de Mello Breyner, Bob Dylan, José Afonso e António Variações, colocando Fernando Pessoa no topo.

Para férias, Ana bacalhau sugeriu aos alunos que levem um livro de Miguel Torga, como “Novos Contos da Montanha”, sublinhando o “poder da palavra como agitador de consciências” porque um “músico não é um robot para debitar notas, mas oferecer um olhar crítico sobre o que vivo, o que vivemos neste momento e neste mundo”.

Depois de afirmar que “Amália tem muita pinta”, Ana Bacalhau recordou que “era muito marrona na escola” e pegar numa viola serviu para cantar “aquilo que sinto, vivo e observo”.

Num momento em que se prepara para retomar a escrita de canções – “que deixei de escrever” – os interlocutores da conversa desafiaram-na a escolher as suas palavras, as que a definem. Ana Bacalhau prefere “cantar, aprender, Fernando Pessoa, esperança, Mouraria, Patinho de Borracha, palco, português e Amália”.

Após a conversa de Ana Bacalhau, que fechou com duas canções “a capella”, a pedido dos alunos, coube aos miúdos do ensino primário testemunharem sobre a sua palavra favorita, desde amor até árvores, passando por confiança, amor, cores, etc.

Um ensemble de cordas — em estreia — serviu de “intervalo” na noite em que as palavras tiveram “todo o tempo do mundo” com a música de Rui Veloso, interpretada por alunos do 11.º ano, enquanto os do nono ano interpretaram “Velho”, de Mafalda Veiga.

A noite encerrou com uma exibição de dança que deixou encantado quem preferiu esta noite a um jogo de futebol na Liga Europa.

Braga em Teste: a diversão da matemática

Um grupo de turistas, de visita à cidade, decidiu subir o escadório do Santuário do Bom Jesus que é constituído por 583 degraus. Como o ritmo de subida era diferente, o grupo acabou por separar-se em três grupos mais pequenos.
O grupo onde ia a Marta parou depois de ter subido quatro onze avos dos degraus e o do Sérgio ao fim de cinco onze avos. Quantos degraus tinha subido o grupo do Sérgio quando parou?

 Este é um dos muitos exercícios incluídos num livro apresentado agora que une a Matemática à história, monumentalidade e gastronomia sem esquecer pessoas que marcaram a história de Braga.

 Miguel Soares é o autor desta ideia feliz para ajudar os alunos do sexto ano de escolaridade a preparar os exames finais de matemática, de uma forma divertida, de modo a estimular os adolescentes a gostar mais da matemática, essa ciência abstracta cuja utilidade para a vida é tantas vezes posta em xeque.

 A obra deste jovem professor de Matemática do colégio Dom Diogo de Sousa foi lançada pela editora lugar da palavra que há um ano nos surpreendeu com uma colectânea de histórias de Heróis à moda do Minho em que explora as expressões e palavras típicas do falar minhoto.

 O sucesso de “Heróis à moda do Minho” – com a venda de cem mil exemplares — bem deve ser desejado para este “Braga em teste”, com seis provas modelo que consolida os conteúdos ao longo do ano escolar e revê os assuntos estudados ao longo do quinto e sexto anos.

 Segundo as palavras do editor João Carlos Brito, estamos perante um magnífico trabalho que mostra a utilidade da matemática para a vida, criando referencias a monumentos de Braga para ajudar os alunos a conhecer melhor a Roma Portuguesa.

 “Braga em teste” constitui uma boa fonte de onde pode jorrar motivação para trabalhar a matemática e despertar para a riqueza cultural histórica de uma cidade onde o passeio de fim-de-semana não tem que resumir-se ao centro comercial da moda.

 Cada uma das provas modelo é um roteiro diferente, durante o qual os alunos são chamados a aplicar os conteúdos, conceitos e números, estando organizadas de acordo com as normas do Ministério da Educação.

 Braga em Teste é uma boa oportunidade para os adolescentes perceberem que aquilo que aprenderam na sala de aula é útil e os ajuda a conhecer a história da cidade, em todas as suas vertentes, sendo até adoçado por um exercício sobre o Pudim Abade de Priscos.

 Miguel Soares é filho de peixe — um antigo colaborador do Correio do Minho — e quer ensinar os alunos a nadar sem se afundarem na matemática, num ano em que se estreiam os exames nacionais no sexto ano de escolaridade.

 Depois de os levar em passeios até à Fonte do Ídolo, usando os Transportes Urbanos, o autor conduz os jovens matemáticos até ao Teatro Circo para um espectáculo de viola braguesa, numa rota que incluí diversificados exercícios.

 A segunda rota, perdão, prova centra-se no Bom Jesus com passeio matemático pelo Elevador único no mundo, enquanto a terceira os delicia com a avenida Central e toda a monumentalidade circundante antes de participarem num arraial de números do S. João.

As Sete Fontes inspiram a prova quatro e a cinco começa com exercícios artísticos na Sé, tem um intervalo no Arco da Porta nova e termina no Palácio do Raio , onde se apanha o autocarro para fazer uma raiz quadrada no Mosteiro de Tibães.

 A última prova realiza-se na Torre de Menagem, com a altura de 30 metros, de onde se vislumbra o Jardim de Santa Bárbara, mas o exercício mais interessante está guardado para o final, nas bancadas do novo Estádio de Braga onde eles tem de saber quantos adeptos arsenalistas estavam presentes se eles ocupavam quatro quintos do estádio.

 Enfim, “Braga em teste” é uma homenagem aos docentes que honram a profissão que abraçaram feita por um jovem professor de Matemática.

Wednesday, March 21, 2012

Fernando Rosas em Braga: crise actual ameaça democracia




O historiador Fernando Rosas firmou, em Braga, que “a crise actual começa a pôr em causa a democracia”. Este professor falava sexta-feira à noite no Colégio D. Diogo de Sousa, durante um colóquio sobre os quatro factores da durabilidade do Estado Novo, numa iniciativa do departamento de história desta escola católica.

Perante um auditório cheio, Fernando Rosas esmiuçou os quatro factores que contribuíram para que o regime de Salazar tivesse durado 48 anos, marcado pela “arte de saber durar”.

O primeiro foi “manter as Forças Armadas, quanto ao essencial, unidas sob a tutela do regime”, uma vez que elas são a “espinha dorsal de violência do Estado não legitimado pela força do voto”.

Em 1918, a ditadura era um “caldeirão”, com a entrada de Salazar sem apoios militares mas a congregar as "várias direitas políticas e dos interesses”.

Em 1932, os generais deixam Salazar ser primeiro ministro em troca de manter o ministério da Defesa e a modernização das Forças Armadas. Em 1937 aproveita divisões entre militares e chama a si a Defesa, com o capitão Santos Costa que se mantém no poder até 1958.

Durante este período executa reformas militares de modo a que os jovens oficiais assumam o comando, “politizando os comandos em favor do regime”.

As FA estão com o regime e Salazar resiste em 1945, aguentando a primeira crise. A segunda crise surge com Humberto Delgado, o mais jovem general das FA, produzido nas escolas da Nato. Uma onde de esperança rodeia Humberto Delgado mas o comandos guardam fidelidade a Salazar, em troca da cabeça de Santos Costa. Salazar cede e aceita Botelho Moniz como ministro da Defesa, mesmo sabendo que ele prepara o golpe que se dá em 1961.



GENERAIS
INCAPAZES
DE DERRUBAR
SALAZAR

Foi um grande aperto para Salazar que demite todas as chefias pela rádio", invocando a necessidade de acorrer a Angola.

A elite do regime “não quer correr riscos económicos, sociais e políticos” e permite a Salazar criar um comando fiel até 1974 (para toda a guerra colonial).

Como os “generais nunca foram capazes de derrubar Salazar, são os oficiais que fazem a guerra no terreno” que vão derrubar o regime.

O segundo factor de durabilidade é a aliança com a Igreja Católica em que o Estado “usa a Igreja como instrumento legitimador do regime” – denuncia Fernando Rosas, lembrando que a “relação não foi fácil”.

As negociações para a Concordata “duraram muitos anos e foram duríssimas” porque Salazar não queria ceder à Igreja a “proibição do divórcio” mas era um acordo importante para segurar a direita republicana, dentro das Forças Armadas.

À Igreja só devolveu os imóveis sem utilidade pública, as igrejas, em trocas de privilégios fiscais e escolas. No entanto, a igreja rural defende o carácter providencial do regime.

Salazar começa a desconfiar da Acção Católica, embrião de um partido democrata cristão. O receio de Salazar cresce quando o bispo do Porto exige o direito dos católicos a organizarem-se politicamente.

O terceiro factor foi a unidade das várias direitas num partido único, criado pelo Ministério do Interior, onde reunia integralistas, republicanos, fascistas e tecnocratas em torno de Salazar.

Até à II Guerra Mundial apenas existiu lista única, mas mesmo esta é passada a pente fino pelo próprio Salazar para que a Assembleia Nacional representasse as várias sensibilidades sem questionar o chefe e os valores do regime.

O quatro factor foi a repressão, preventiva e mais eficaz e punitiva, para os infractores, que eram uma minoria como “são sempre”, através de um aparelho de justiça política com polícia, tribunais e prisões.



TRINTA E CINCO MIL
PRISIONEIROS POLÍTICOS

Entre 1926 e 1974 devem ter sido uns 35 mil os prisioneiros políticos” – assegura Fernando Rosa, destacando os períodos da Guerra Civil de Espanha e o rescaldo da campanha de Humberto Delgado. A repressão preventiva era exercida pela propaganda, censura, escola com livro único, canto coral, controlo dos lazeres (através da Mocidade Portuguesa), das corporações e das mulheres, da FNAT e das Casas do Povo.

Esta repressão preventiva fazia uma “economia do terror e tornava a violência desnecessária. Foi eficaz e sentimo-la ainda hoje”. Fernando Rosas apontou o fado – criticado e depois sagrado — como exemplo do que Salazar fez ao Benfica: “colou-se aos êxitos internacionais do clube para fazer política interna e sobretudo externa".

Tuesday, January 3, 2012

De Guimarães a Braga: “tu fazes parte”. E nós?




Uma das mais bonitas surpresas que os vimaranenses podiam ter feito aos bracarenses está à vista de todos: um cartaz espalhado pelas avenidas principais da Roma Portuguesa com um coração estilizado cheio de gente dentro — a simbolizar a Capital Europeia da Cultura — a convidar os bracarenses — que celebram a Capital Europeia da Juventude, onde se declara: “tu fazes parte”.

Este convite “Tu fazes parte” que Guimarães dirige a Braga constitui o primeiro passo para um novo paradigma — ai que palavra tão na moda! — nas relações entre as duas principais cidades do distrito de Braga.

Na minha modesta opinião esta é a primeira grande celebração da Capital Europeia da Cultura, mesmo contra a corrente de uma certa opinião bacoca e parola, de modo a que os habitantes de um e outro concelho acabem, de uma vez por todas, com essa conversa bafienta e enterrem esse linguajar subdesenvolvido.

No tempo em que se inicia um novo acordo ortográfico, era bom bom que as duas cidades celebrassem todos os dias um novo acordo de linguagem e de sentimentos que apenas traz vantagens para as duas cidades e para os dois povos.

Se o ano que agora se iniciou, coloca as duas cidades sob os olhares dos europeus, isso deve-se à cultura, ao património, à juventude, não ao futebol.

É tempo da gíria da bola — sem qualquer estatuto europeu e derrotada pela maioria— deixar de alimentar rivalidades que não elevam os níveis das duas cidades ao patamar a que agora — por força das suas autarquias, do seu passado monumental, das suas associações, dos seus criadores de artes e dos seus jovens — foram justamente classificadas.

A gíria divide, separa, destrói, aniquila: contraria coração da CEC e destrói o símbolo dinâmico e apontado ao futuro da CEJ. Nem Guimarães nem Braga merecem que a minoria do jargão se sobreponha às grandes celebrações das duas cidades.

Braga responde com um desafio aos jovens a lutar pelas verdadeiras condições do seu desenvolvimento, no acesso ao mercado de trabalho e na realização dos sonhos. Também os jovens de Guimarães fazem parte e já foram convidados, ao longo de uma maratona que percorreu todos os concelhos do distrito.

Braga e Guimarães apontam o dedo adultos, detentores da gíria que nos embruteceram ao longo de décadas, negaram aos jovens os sonhos e os mantiveram anestesiados com jargões e uma vida sem valores.

O convite “Tu fazes parte” constitui é um desafio para despertarmos da conformidade ou do sono da aceitação acriteriosa da sociedade vazia e mesquinha, porque só assim pode ser mais humana, livre, verdadeira, justa, criativa, fraterna.

Que a cultura, lá, e a juventude, cá, nos façam sair a todos deste torpor que nos engaiola na mediocridade sem darmos conta da nulidade que somos quando nos limitamos a ser menos que macacos de imitação.

Este cartaz tropeça traduz uma das frases mais bonitas que me atropelaram ao longo da vida: não conseguimos segurar uma vela para iluminar o caminho de outra pessoa, sem clarearmos o nosso próprio.

A frase pertence ao médico americano Orison Swett Marden (1850 - 1924) segundo o qual "uma vela nada perde quando, com sua chama, acende uma outra que está apagada”, como se pode ler no seu livro How to get what you want (Como realizar aquilo que desejas).

A voz dos indignados ou um grito de Deus!

Há pequenos sinais de que o mundo está a mudar. Em Harvard, um grupo de 70 estudantes saiu da sala de aula de Economia base, para denunciar que o curso "possui uma limitada visão da economia que perpetua sistemas problemáticos e ineficiente de desigualdade económica no nosso sociedade de hoje.

Contrariando a opacidade e o silenciamento imposto por parte dos media, vão surgindo na internet tomadas de posição acerca do alcance e fundamento que os movimentos dos "indignados" estão a ter em muitas cidades do mundo, com particular destaque para a contestação que se mantém em Wall Street, um lugar altamente simbólico do sistema financeiro mundial.

O Movimento Ocupar Wall Street (OWS) pode ser visto como dando um grande impulso para a reforma das Finanças.
Inspirado pela primavera árabe e manifestação dos indignados "em Madrid, OWS começou em 17 de setembro de 2011 perto da Wall Street, símbolo do mundo financeiro.

Ele mostra a democracia participativa em acção. Começou despercebido com a escassa cobertura dos media, mas rapidamente OWS tinha se espalhado para 951 cidades em 82 países. Não tinha a intenção de se limitar aos EUA ou Finanças, mas para chamar a atenção para a crise mundial. É um grito de justiça económica, responsabilidade, democracia e dignidade humana. Para os cristãos, isso podia ser visto como um grito de Deus — como escreve Antonella Ferrucci, no Economy of communion.

Wall Street foi escolhida como símbolo de protesto, mas é preciso revisitar a crise financeira em 2008, quando o governo dos EUA socorreu os bancos em quase colapso devido à sua acção irresponsável, muitas vezes sem ética financeira, alimentada pela ganância.

O mercado mostrou-se ineficiente, imperfeito e irracional. Para evitar colapso financeiro, o governo dos EUA injectou neles 700 mil milhões de dólares.
O desemprego continuou a subir. Isso foi visto pelo cidadão como a privatização dos ganhos e socialização das perdas.
Com o sector bancário recuperado, os banqueiros continuaram com práticas de auto-serviço e compensação excessiva. Os senhores de Wall Street esqueceram a missão da banca, que é fornecer suporte à economia.

O movimento pode não ter qualquer agenda para os jornais e televisoes, mas tem um objectivo: a Justiça económica.
OWS denuncia a injustiça e a corrupção da política pela finança, lobby e contribuinte das campanhas políticas, que paralisa o governo para o bem comum.

A amizade e o respeito demonstrado pelas pessoas em reuniões OWS mostram outra faceta do ser humano: temos uma sede de relacionamento profundo e autêntico.
Em protesto contra a expulsão de manifestantes pela polícia, os clérigos da Catedral de São Paulo, em Londres, demitiram-se.

O Arcebispo de Cantuária pediu um imposto sobre transacções financeiras, como tinha feito o Conselho Pontifício de Justiça e Paz, e condenou a excessiva remuneração dos executivos.

Talvez agora, incentivado pela voz pública, o governo possa enfrentar os interesses das empresas, e os cidadãos possam restaurar a justiça económica. Ou seja, um governo melhor e um mundo mais equitativo e sustentável.

O mundo — em especial a Europa — precisa de uma Economia com face humana, porque a Economia focada na eficiência e na maximização do rendimento, foi um fracasso e não legitimidade moral nem capacidade para vir impor as soluções para uma crise que ela causou.

Braga... porque ninguém ama o que não conhece

Tuesday, July 5, 2011

Falhanço do país engabinetado




Nas últimas semanas foi notícia o lamento de um empresário do interior do país que quer expandir a sua empresa mas não encontra gente para trabalhar.

Alguns virão já a corer a dizer que este empresário quer operários que trabalhem de graça ou paguem para trabalhar, mas sosseguem que não é o caso.

Não é o caso da Insercol, uma empresa da metalomecânica, em Moimenta da Beira, distrito de Viseu, que tem suspenso um investimento superior a milhão e meio de euros.

Por isso, o empresário João Guedes não aceita de bom grado a palavra crise porque “trabalho não falta”, o que falta “é gente para trabalhar”.

Esta empresa de referência na área da metalomecânica, tem um volume de negócios médio superior a quatro milhões de euros e registou no ano passado registado um crescimento de 30 por cento no volume de negócios e aumentou em mais de 20 por cento os recursos humanos.

Esta empresa quer investir “pelo menos” 1,5 milhões de euros em tecnologia de ponta e não sabe como fazê-lo, por não encontrar disponível mão de obra que permita a garantia da rentabilidade do investimento.

Quando Portugal vive momentos dramáticos com um desemprego medonho, ficamos intrigados por haver quem gosta de ter gente para trabalhar e não encontra, pagando ordenados que, em média, ultrapassam os 1.100 euros.

Metade dos trabalhadores vêm de fora de Moimenta de Beira e do distrito de Viseu, nomedamente de Aveiro e Porto.

Não basta construir auto-estradas para o interior agora, quando passamos décadas a estimular a desertificação do interior.
Está aqui o resultado de uma governação que durante séculos apenas lhou pel umbigo do país e desprezou os estímulos à maternidade.

Está aqui a prova de um plano nacional de formação profissional onde, depois de extinguir o ensino profissional, se gastaram milhões e milhões de euros do Fundo Social Europeu para dotar os jovens de cursos de papel, computador e lapis, esquecendo a agricultura e a indústria.

Num país que compra quase oitenta por cento do que come e enche os discursos com apoios à exportação, fica aqui um exemplo de uma empresa que precisa mais de operários do que incentivos para vender para fora.

Os planos de formação profissional engabinetados geraram um país com escassez de técnicos intermédios, a verdadeira alavanca que impedirá o falhanço desta Nação.

Há muito mais Portugal para além dos computadores.

Amartya Sen: um grito no deserto?



Na catadupa de notícias sobre PEC e crise da Líbia, um Doutoramento na Universidade de Coimbra, foi silenciado pela generalidade das televisões e só uma lhe deu direito a uma nota de rodapé, para contextualizar declarações do Alto-Comissário para os Refugiados das Nações Unidas.

É importante que se fale da situação da Líbia, mas é igualmente importante que se falasse do Doutoramento “Honoris Causa” do Prof. Amartya Sen.

Amartya Sen é um dos mais eminentes humanistas e cientistas da economia do Séc. XX e veremos se não o será também do séc. XXI, enquanto académico brilhante, comprometido com o Mundo.

Amartya Sen foi prémio Nobel da Economia em 1998 mas, mais importante são as razões que levaram à atribuição do prémio. Sen é na Academia quem, pelo seu pensamento, mais fez para a compreensão da pobreza, das desigualdades, do emprego e dos efeitos da sua existência para o exercício dos direitos humanos, da liberdade e da justiça.

Todas as suas obras constituem um marco, no avanço da ciência económica e do desenvolvimento humano. Para eles, os mercados não se auto regulam. Para terem um papel útil necessitam da intervenção da “política”. Como teve tanta razão na recente crise financeira! E no entanto, continua a ser desprezado.

O tão popularizado “Índice de Desenvolvimento Humano” tem origem nos trabalhos por ele promovidos no início dos anos 90: constituiu e constitui um critério que ainda não encontrou substituto, para avaliar o progresso humano, nos diferentes países.

Sen demonstra-nos que a ciência económica não é uma tecnocracia e ela só tem sentido se existir para dar resposta aos problemas de todas as pessoas e não apenas de algumas pessoas.

Como é possível? Só é possível num mundo que tenha a ética e a solidariedade como valores orientadores e não como valores subordinados.

Vale a pena incitar à leitura do seu livro “A Ideia de Justiça” (acabado de ser publicado em português). É que, na sua abordagem à justiça, marca um compasso ímpar para aqueles que lutam contra a injustiça por todo o mundo — comenta Philppe Van Parijs, da Universidade de Lovain

Sen demonstra toda a força do seu pensamento brilhante e juízo moral — acrescenta o Financial Times enquanto o Sunday Times afirma que este livro é “para quem gosta de discussões inteligentes longe de lugares comuns”.

O Jornal The Times define Sen como um dos grandes pensadores da nossa era.

Vejam o que estamos a perder, ignorando-o.

Justiça: afinal havia outro défice!


Um copianço generalizado num teste do curso de auditores de Justiça do Centro de Estudos Judiciários — futuros magistrados do Ministério Público — constitui a prova de que há muita gente que só pretende honras sem qualquer pingo de honra.

Como a emenda é pior que o soneto, a direcção do Centro de Estudos Judiciários, numa decisão corporativa que nos faz recuar 40 anos, após a anulação do teste, optou por dar nota positiva (10 valores) a todos os futuros magistrados.

Ou seja, para s futuros magistrados do Ministério Público, o crime compensou. Querem melhor retrato da justiça portuguesa, ele aí está, confirmado pela Direcção do Centro de Estudos Judiciários.

Num despacho assinado pela diretora do CEJ, a desembargadora Ana Luísa Geraldes, a que a agência Lusa teve acesso, comprova o crime: na correcção do teste “verificou-se a existência de respostas coincidentes em vários grupos” de alunos da mesma sala.

O documento indica que, em alguns grupos, “a esmagadora maioria dos testes” tinha “muitas respostas parecidas ou mesmo iguais”, constatando-se que todos os alunos erraram em certas questões.

No despacho é dito que as perguntas erradas nem eram as mais difíceis do teste, tendo-se verificado o inverso: numa das questões mais difíceis ninguém falhou.

Perante o copianço da turma, que fez a direcção do CEJ? Decidiu “anular o teste em causa, atribuindo a todos os auditores de Justiça a classificação final de 10 valores” em Investigação Criminal e Gestão do Inquérito.

Não estamos a falar de adolescentes cuja consciência ética está em formação. Estes senhores e senhoras são adultos, alguns com anos de exercício de advocacia, cuja ética e deontologia profissional fica assim desmascarada.

Vitor Hugo diria que estas pessoas vêem as regras de honra como se olham as estrelas, de longe.

A principal missão do Centro de Estudos Judiciários é a formação de magistrados judiciais e do Ministério Público para os tribunais judiciais e para os tribunais administrativos e fiscais.

Numa instituição a sério, estes “meninos e meninas” que copiaram tinham nota zero, porque é o que eles valem quer em sabedoria, em competência e em honestidade. É por estas e por outras que este país não sai da estaca zero.

Quando é que estes figurões se apercebem que se estáo a enganar, em primeiro lugar, a si mesmos?

Nunca, porque isso não se copia.